Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Lucro do Bradesco tem alta de 74% no 1º trimestre e atinge R$ 6,5 bilhões

Para presidente da instituição financeira, resultados mostram que ‘bancos estão preparados para enfrentar o cenário desafiador da pandemia’; resultado veio em linha com as projeções

Aline Bronzati e Marcelo Mota, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2021 | 18h16
Atualizado 05 de maio de 2021 | 12h44

O banco Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,51 bilhões no primeiro trimestre do ano, uma alta de 74% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o presidente do banco, Octavio de Lazari Jr., os resultados indicam que as incertezas do cenário econômico brasileiro estão se arrefecendo.

“Estamos trocando as dúvidas sombrias por uma narrativa virtuosa”, afirmou o executivo, em comunicado divulgado pela instituição financeira. “Em termos objetivos, os bancos estão preparados para enfrentar o cenário desafiador da pandemia. E os resultados alcançados neste início de ano indicam isso.”

O executivo também destacou que a recuperação da economia está intimamente ligada à aceleração da vacinação contra a covid-19. Isso, segundo ele, poderá ajudar a encerrar o ciclo de “abre e fecha” da economia. “Estamos chegando aos 20% da população vacinada em primeira dose, no ritmo possível. Isso pode ser intensificado. A mudança da velocidade da vacinação é a peça-chave para a construção mais rápida de um cenário positivo”, disse o executivo.

No que se refere ao cenário de competitivo, especialmente com a emergência das fintechs, Lazari afirmou que o Bradesco está bem posicionado, graças ao banco digital Next. O Pix e o open banking são outras variantes desse novo momento, de acordo com o presidente do banco. “São instrumentos orientados pelo Banco Central e precisam ser valorizados pelos seus aspectos de dar agilidade e eficiência no atendimento ao cliente. São propostas que recebem nosso apoio e adesão, obviamente”, frisou.

Em linha com as previsões

O lucro líquido recorrente do Bradesco de janeiro a março ficou em linha com as projeções do mercado. A média esperada conforme cinco casas consultadas pelo Prévias Broadcast – Bank of America (BofA), JP Morgan, Goldman Sachs, Eleven Financial e Itaú BBA – era de R$ 6,3 bilhões. O resultado em linha com as perspectivas é assim considerado quando a variação para mais ou para menos é de até 5%.

No que se refere ao crédito, o Bradesco viu sua carteira expandida avançou 2,6% nos três primeiros meses deste ano e alcançou R$ 705,2 bilhões, saldo 7,6% superior ao verificado no fim de março de 2020.

A despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa, mais conhecidas pela sigla PDD, cederam 14,5% na comparação com o período imediatamente anterior e ficaram em R$ 3,9 bilhões, 41,8% menores que no primeiro trimestre do ano passado. 

O estoque de provisões, no entanto, chegou a R$ 46 bilhões, uma alta de 11,3% sobre o resultado pouco acima de R$ 40 bilhões registrado há um ano.

Os últimos 12 meses foram de ajustes na operação do Bradesco, de acordo com o balanço divulgado nesta terça-feira, 4. Nos últimos 12 meses, o banco fechou 1.088 agências e demitiu 8.547 funcionários. Apenas nos primeiros três meses de 2021, foram encerrados 83 pontos de atendimento e fechados 888 postos de trabalho. 

Perspectivas

O Bradesco manteve inalteradas as projeções de desempenho para 2021, os chamados guidances, divulgadas no início deste ano. O banco espera que sua carteira de crédito cresça de 9% a 13% neste ano. No primeiro trimestre, os empréstimos tiveram incremento de 7,6%.

O banco espera ainda que sua receita de prestação de serviços tenha aumento de 1% a 5% neste ano ante 2020. No primeiro trimestre, esse ganho, porém, encolheu 2,6%.

Do lado das despesas, o Bradesco promete seguir com austeridade no corte de custos e vê a possibilidade de seus gastos operacionais se reduzirem até 5%, no melhor cenário. No mínimo, devem cair 1%. De janeiro a março, a redução foi de 4,7%.

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