Daniel Teixeira/Estadão
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R$ 1,57 bi

E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Efeitos do coronavírus fazem lucro do Itaú Unibanco cair 43%, para R$ 3,9 bi

Candido Bracher, presidente do banco, disse que está com seus esforços voltados para apoiar os clientes na crise e no 'longo período de recuperação que virá'

Aline Bronzati e Cynthia Decloedt, O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2020 | 19h55

O Itaú Unibanco divulgou na noite desta segunda-feira, 4, um lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no primeiro trimestre, cifra 43,1% inferior ao resultado do mesmo período do ano passado, quando os ganhos somaram quase R$ 6,9 bilhões. Quando se levam em conta os dados do quarto trimestre de 2019, a queda foi ainda maior, de 46,4%.

A retração do lucro do maior banco da América Latina ocorreu em meio aos maiores gastos com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, refletindo a piora sensível do cenário econômico. O Banco Mundial agora prevê uma queda de 5% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020. No início do ano, esperava-se uma expansão de 2% a 3%. Isso, claro, antes da pandemia do novo coronavírus bagunçar a economia global, a partir de março. 

As reservas para eventuais calotes foram reforçadas em cerca de R$ 7 bilhões. Como consequência, o custo de crédito da instituição atingiu R$ 10,1 bilhões no primeiro trimestre, salto de 73,6% quando comparado ao quarto trimestre de 2019. A rentabilidade do banco também foi afetada pela atual crise econômica, saindo do patamar de 23%, no quarto trimestre, para 12,8%, ao fim de março.

O presidente do Itaú, Candido Bracher, destacou que o banco está com seus esforços voltados para apoiar os clientes na crise e no “longo período de recuperação que virá”. Por isso, precisou se proteger com provisões. “É fundamental manter um balanço forte e é com este objetivo que incrementamos significativamente nosso nível de provisões”, disse o executivo, em comunicado.

 A pandemia de covid-19 também fez o Itaú abandonar as projeções de desempenho inicialmente divulgadas para 2020. Por enquanto, o banco vê muitas incertezas no cenário. “A administração entende ser prudente não divulgar novas projeções neste momento, até ser possível ter uma maior precisão sobre os impactos e extensão da situação atual em nossas operações”, informa a instituição financeira, em relatório que acompanhou seu balanço.

O banco comenta seus resultados do primeiro trimestre hoje, às 8h30, em teleconferência com a imprensa. Às 10 horas, responde a questões de analistas. 

Crédito

A carteira de crédito total do Itaú somava R$ 769,2 bilhões ao fim de março, elevação de 8,9% na comparação com dezembro, como reflexo da maior demanda por crédito em meio à crise causada pelo novo coronavírus. Em um ano, os empréstimos tiveram incremento de 18,9%.

O aumento do crédito foi impulsionado pelas solicitações de grandes empresas, que se apressaram em reforçar liquidez diante da pandemia. Segundo o banco, a busca por crédito por grandes negócios dobrou em março, na comparação com o mês de fevereiro. 

Renegociação de dívidas

O Itaú informou que o saldo de renegociações de empréstimos cresceu 12,9% no primeiro trimestre em comparação com o fechamento de dezembro de 2019, em parte influenciado pela prorrogação do pagamento de parcelas de empréstimos em dia para atender clientes com necessidade de alongamento. De acordo com a demonstração de resultado do banco, no trimestre, o saldo de créditos renegociados foi para R$ 31,7 bilhões, de R$ 28,1 bilhões ao final de dezembro.

Entre outros impactos da pandemia nos números, o Itaú cita redução de 38,9% na margem financeira com o mercado, decorrente do impacto da volatilidade na precificação de instrumentos financeiros. O banco diz ainda que o custo do crédito aumentou 165,2% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2019, devido principalmente ao aumento na despesa de provisão para créditos de liquidação duvidosa.

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