Lucro do Itaú Unibanco cai 11% no 3º trimestre, para R$ 2,2 bi

Puxada pelas empresas, inadimplência atinge 5,9% em setembro, ante 3,8% registrado em igual mês de 2008

Aline Cury Zampieri e Ana Paula Ribeiro, da Agência Estado,

03 de novembro de 2009 | 07h22

O Itaú Unibanco fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 2,268 bilhões, valor 11% menor que o  apresentado no mesmo período do ano passado, de R$ 2,551 bilhões. Puxada pelas empresas, a taxa de inadimplência do banco subiu para 5,9% em setembro deste ano, acima dos 3,8% registrados em igual mês de 2008, considerando os atrasos superiores a 90 dias. O índice também é superior aos 5,4% do final do segundo trimestre. Segundo a instituição, formada a partir da fusão entre Itaú e Unibanco há exatos 12 meses, os reflexos da crise financeira ainda afetam a qualidade de risco de crédito das companhias.

 

Os ativos consolidados do banco atingiram R$ 612,4 bilhões em 30 de setembro, o maior entre os conglomerados financeiros privados da América Latina. A carteira de crédito, incluindo avais e fianças, atingiu R$ 268,7 bilhões no final do terceiro trimestre, com crescimento de 5,5% em relação ao final do mesmo período de 2008. No Brasil, a carteira de crédito livre, pessoa física, atingiu R$ 98,4 bilhões, com crescimento de 6,3%. Por sua vez, o segmento de grandes empresas atingiu R$ 90,3 bilhões, e o de micro, pequenas e médias empresas atingiu R$ 56,7 bilhões, com crescimento de 18,1%.

 

Segundo o banco, o cartão de crédito foi o principal responsável pelo aumento da carteira de empréstimos da pessoa física. Essa modalidade totalizava ao final de setembro R$ 25,215 bilhões, um avanço de 20,9% em 12 meses e de 3,7% no trimestre, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. A instituição financeira lidera o mercado de cartões, tendo 23,5 milhões nos diversos produtos existentes na Itaucard, Unicard e Hipercard.

 

No período acumulado de janeiro a setembro deste ano, o banco teve lucro líquido de R$ 6,853 bilhões, um aumento de 15,5% sobre os R$ 5,931 bilhões de igual período de 2008. Os ativos totais aumentaram 53,7%, para R$ 612,398 bilhões, e o resultado bruto da intermediação financeira foi de R$ 24,245 bilhões, com alta de 107,43%. O resultado operacional somou R$ 14,487 bilhões, com crescimento de 85,32%.

 

Ciclo de crédito dá sinais de melhora

 

Entre as pessoas físicas, a inadimplência chegou a 8,1% no final de setembro, índice estável em relação ao trimestre anterior e superior aos 6,4% registrados em igual mês do ano passado. Entre as empresas, o avanço foi maior, de 1,2% em setembro de 2008 para 4,1% ao final do terceiro trimestre. Em junho, os créditos em atrasos há mais de 90 dias representavam 3,1% do total de empréstimos às pessoas jurídicas. Na avaliação da instituição financeira, a estabilidade no índice indica que o "pior momento do atual ciclo de crédito foi ultrapassado".

 

Apesar da elevação dos atrasos acima de 90 dias, o Itaú Unibanco vê uma melhora nos empréstimos entre 60 e 90 dias. Nesse indicador, a taxa de inadimplência era de 1,1% em setembro, ante 0,8% no mesmo mês de 2008 e 1,3% em junho de 2009.

 

Para arcar com esses atrasos, o Itaú Unibanco registrou uma despesa de provisão para créditos de liquidação duvidosa (PDD) de R$ 4,299 bilhões no terceiro trimestre, uma alta de 1,1% em relação ao trimestre anterior. Já no ano, essa despesa chegou a R$ 12,383 bilhões, uma elevação de 57,6% em relação aos nove primeiros meses de 2008.

 

Crédito para veículos lidera

 

No empréstimos concedidos para a compra de veículos, o avanço foi de 7,6% em 12 meses e de 2,3% no trimestre, chegando a R$ 50,670 bilhões. Essa é a maior carteira de crédito no segmento pessoa física. Segundo a instituição financeira, essa modalidade foi beneficiada, no final de setembro, pela perspectiva do encerramento da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que estimulou a venda de veículos zero quilômetro.

 

No crédito pessoal (que inclui consignado e as financeiras em parcerias com redes varejistas), a carteira chegou a R$ 22,498 bilhões, valor 8,6% inferior ao registrado em setembro de 2008. No trimestre, a queda foi de 0,9%. Segundo o Itaú Unibanco, esse segmento registrou diminuição de spreads decorrente da mudança no mix das carteiras.

 

Nos empréstimos para empresas, o destaque ficou por conta das modalidades voltadas para pequenas e médias, que ao final de setembro totalizavam R$ 56,709 bilhões, crescimento de 18,1% em 12 meses e 4,4% no trimestre. Entre as grandes, com um estoque de crédito de R$ 90,299 bilhões, houve recuo de 0,1% no ano e de 1,5% no trimestre. A queda nas operações para grandes empresas, segundo o Itaú Unibanco, está relacionada à valorização do real frente ao dólar, que fez com que o saldo das operações indexadas a moedas diminuísse.

 

(com Reuters)

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