Daniel Teixeira/Estadão
Situação melhorou, mas resultado indica que a pandemia ainda pesou no caixa do Itaú no terceiro trimestre. Daniel Teixeira/Estadão

Lucro do Itaú Unibanco cai 29,7% e soma R$ 5 bilhões no terceiro trimestre

Na comparação com o segundo trimestre deste ano, lucro do banco subiu 19,6%; resultado pode ser visto como um sinal da retomada da economia no pós-pandemia

Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2020 | 20h00
Atualizado 03 de novembro de 2020 | 22h11

O Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 5,03 bilhões no terceiro trimestre de 2020, cifra 29,7% menor em relação ao mesmo período do ano passado, quando totalizou R$ 7,16 bilhões. Em relação ao trimestre anterior, porém, houve uma alta de 19,6% no resultado, o que pode ser visto como um sinal de retomada da economia em relação ao período mais agudo da pandemia de covid-19.

O resultado também mostra menores despesas de provisão para créditos de liquidação duvidosa, especialmente no banco de atacado do Itaú. No intervalo entre janeiro e setembro, o lucro líquido do Itaú atingiu R$ 13,15 bilhões, redução de 37,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

“A melhora de resultados neste trimestre reflete uma sensível recuperação da atividade econômica, ao mesmo tempo em que ainda contempla a necessidade de provisionamento para fazer frente à possibilidade de maior inadimplência no futuro”, disse, em comunicado, o presidente do Itaú Unibanco, Cândido Bracher. Na semana passada, a instituição anunciou que ele será substituído por Milton Maluhy Filho, hoje vice-presidente de finanças do banco.

A carteira de crédito total do banco alcançou R$ 847 bilhões no terceiro trimestre, aumento de 4,3% em relação ao período imediatamente anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 20,4%. Segundo o banco, o destaque foi o crescimento das carteiras de crédito imobiliário, de veículos e micro, pequenas e médias empresas.

O patrimônio líquido do Itaú era de R$ 130,6 bilhões ao fim de setembro, 3,8% maior em um ano. No trimestre, cresceu 3,3%. No terceiro trimestre, o maior banco da América Latina ultrapassou a marca recorde de R$ 2,11 trilhões em ativos totais, alta de 21,4% em um ano.

Calotes

Assim como ocorre com outros grandes bancos brasileiros, uma dúvida do mercado sobre o Itaú se refere aos empréstimos que tiveram os vencimentos prorrogados do início da pandemia e que agora começam a vencer. É esse dado que poderá mostrar se o banco precisará ou não de novas provisões (reservas) para reduzir o impacto dos calotes.

A inadimplência de curto prazo começou a subir no terceiro trimestre, com o fim da carência de alguns contratos. Segundo o balanço, no entanto, esse avanço foi pequeno, de 0,2 ponto porcentual em relação ao 2.º trimestre: de julho e setembro, o índice foi de 1,9%.

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Após comprar briga pública com a XP, Itaú busca porta de saída da corretora

Banco privado disse que já estuda formas de deixar a XP três anos após comprar 49,9% da plataforma e ver o valor investido se multiplicar por várias vezes

Fernanda Guimarães, Cynthia Decloedt e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2020 | 19h51
Atualizado 04 de novembro de 2020 | 18h55

Pouco mais de quatro meses após partir para uma briga pública com a XP Investimentos, o Itaú Unibanco anunciou nesta terça-feira, 3, um plano para segregar a maior parte das ações que detém na corretora em uma nova companhia, além da anunciar planos de vender 5% das ações que permaneceriam em suas mãos no mercado financeiro. Segundo fontes de mercado, seria uma estratégia da instituição para, aos poucos, deixar de ser sócia da XP.

O maior banco da América Latina se tornou sócio da corretora fundada por Guilherme Benchimol há três anos, ao comprar 49,9% do negócio em uma operação vista à época como um movimento de proteção contra a emergência de plataformas de investimentos digitais e com estratégia ousada de captação de clientes. O negócio, apesar da recente rusga pública, virou um dos investimentos mais rentáveis da história do Itaú.

Hoje, o Itaú tem 46% da XP – a fatia do banco foi diluída após a bem-sucedida abertura de capital da corretora na Nasdaq, pregão da Bolsa de Nova York dedicado a negócios de tecnologia. Depois de pagar R$ 12 bilhões para ficar com quase metade da XP há três anos, o Itaú Unibanco hoje tem uma participação um pouco menor que é avaliada em R$ 130 bilhões – mais de dez vezes o valor investido. 

O estudo divulgado hoje é visto por fonte de mercado como uma porta de saída para o Itaú. O banco entregar a maior parte dos papéis – 41%, de um total de 46% – aos acionistas do banco. Essas ações irão para uma nova companhia, por enquanto batizada pelo banco de “Newco”. Essa sociedade teria como único objetivo a alocação das ações que o banco possui na XP. 

A participação dos acionistas nessa nova sociedade respeitaria a participação de cada um no banco. Parte da participação da XP irá, portanto, para Iupar e Itaúsa – instituições que, juntas, possuem 46% do Itaú Unibanco e são controladas, em grande parte, pelas famílias Setubal, Villela e Moreira Salles (a Itaúsa tem capital aberto e, por isso, mais acionistas).

Mesmo com a cisão que levaria à alocação de 41% da participação do Itaú nessa nova companhia, restariam 5% nas mãos do banco. Conforme os estudos em andamento, essa participação remanescente poderá ser vendida por meio de uma oferta de ação. O Itaú disse, ontem, que esse movimento deve gerar um aumento do Índice de Basileia do banco. 

O Itaú informa que a referida venda, se concretizada, vai “ depender das condições aplicáveis de mercado”. O negócio ainda estará sujeito à aprovação do conselho de administração, que avaliará detalhadamente as condições a elas aplicáveis e seus efeitos. O banco também ressaltou ontem que esse movimento não ocorrerá durante o ano de 2020. 

Briga

A rusga entre Itaú e XP ocorreu com uma campanha publicitária lançada em horário nobre, na Rede Globo, pela qual o Itaú criticava um dos pilares do negócio da XP: a distribuição via agentes autônomos. O banco questionou a remuneração desses profissionais, feita por meio do comissionamento, o que poderia fazer esse profissional indicar ao seu cliente um produto com a melhor remuneração para ele – e não necessariamente para o cliente. 

A XP prontamente reagiu. A corretora usa como “mantra” que seu principal concorrente são os grandes bancos, que concentram grande parte dos investimentos dos brasileiros. Roberto Setúbal e João Moreira Salles já foram do conselho de administração da XP, mas deixaram o posto antes da abertura de capital da companhia.

Procurada pelo Estadão para comentar o anúncio do Itaú, a XP não quis se pronunciar.

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