Sérgio Moraes/Reuters
Sérgio Moraes/Reuters

Lucro do Itaú Unibanco cai 9% no 2º trimestre e soma R$ 5,6 bilhões

Trata-se do segundo trimestre consecutivo de queda no resultado recorrente; banco piorou as projeções para o ano e viu a inadimplência crescer

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2016 | 08h29

SÃO PAULO - O Itaú Unibanco reportou lucro líquido recorrente de R$ 5,575 bilhões no segundo trimestre deste ano, cifra 9,11% menor que a registrada em igual intervalo de 2015, de R$ 6,134 bilhões. Em relação aos três meses anteriores, porém, quando o resultado foi de R$ 5,162 bilhões, foi identificado aumento de 8,00%.

Trata-se do segundo trimestre consecutivo de queda no resultado recorrente do Itaú. Os números do período trazem, pela primeira vez, a consolidação da companhia resultante da união entre o Banco Itaú Chile e o CorpBanca, o Itaú CorpBanca. O Itaú é acionista controlador com participação de 33,58% no capital social do novo banco.

A carteira de crédito total do Itaú Unibanco, que considera avais e fianças, fechou junho em R$ 573,003 bilhões, redução de 4,6% em relação a março, quando somou R$ 600,705 bilhões. Na comparação com junho de 2015, quando estava em R$ 608,285 bilhões, foi identificado declínio de 5,8%. Se levado em conta ainda títulos privados, foi a R$ 608,606 bilhões, queda de 4,5% e 5,4%, respectivamente. Sem considerar o efeito cambial, encolheu 1,6% e 5,2%, nesta ordem.

O Itaú divulgou ainda lucro líquido de R$ 5,518 bilhões no segundo trimestre, montante 7,77% menor em 12 meses, de R$ 5,983 bilhões. As principais diferenças entre o lucro líquido e o resultado recorrente são provisões para contingências, amortização de ágio de aquisições do grupo, teste de adequação de passivos.

Inadimplência. As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDDs) do Itaú encerraram junho em R$ 6,337 bilhões, cifra 19,0% menor em relação a março, quando ficaram em R$ 7,824 bilhões. Em um ano, quando somaram R$ 5,768 bilhões, aumentou 9,9%. No semestre, esses gastos foram a R$ 11,482 bilhões, alta de 23,3% em um ano.

O saldo de PDDs do banco alcançou R$ 38,470 bilhões de abril a junho, aumento de 29,11% em um ano, quando estava em R$ 29,796 bilhões. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, quando estava em R$ 38,241 bilhões, cresceu 0,60%. 

A inadimplência total do Itaú Unibanco, considerando atrasos acima de 90 dias, encerrou junho em 3,6% ante indicador de 3,5% em março. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o índice teve piora de 0,6 ponto porcentual (p.p.).

A inadimplência da pessoa física foi a 5,9% no segundo trimestre, queda de 0,1 p.p. ante o primeiro, mas aumento de 1,0 p.p. em um ano. A melhora foi possível, segundo o banco, graças à menor inadimplência nas carteiras de cartão de crédito e veículos. Já o calote na grande empresa passou de 1,5% em março para 1,5% em junho enquanto na micro, pequena e média empresa, passou de 5,6% para 6,0%, nesta ordem.

O índice de inadimplência do Itaú, que considera atrasos entre 15 e 90 dias, foi de 3,3% em março para 3,6% em junho. Em um ano, estava em 3,1%. O banco explica, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, que o aumento foi influenciado, principalmente, pelas grandes empresas, cujo indicador passou de 1,5% no primeiro trimestre para 2,3% no segundo.

"Este aumento foi concentrado em apenas um grupo econômico do segmento, que já está com o saldo de crédito 100% provisionado. Desconsiderando-se este caso específico, o indicador de grandes empresas teria sido 1,0% em junho de 2016 e teria apresentado redução de 0,5 p.p. no trimestre", informa o Itaú. O banco não menciona o nome do cliente. O Itaú tinha a segunda maior exposição entre os grandes bancos à Sete Brasil, que entrou com pedido de recuperação judicial, conforme documento obtido pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, com um total de quase US$ 563 milhões (R$ 1,982 bilhão).

Projeções. O Itaú Unibanco revisou a maioria de suas previsões para 2016. A carteira de crédito, no conceito consolidado e que leva em conta avais, fianças e títulos privados, deve encolher de 10,5% a 5,5% neste ano em relação a 2015. O intervalo anterior indicava queda de 0,5% neste ano e, na melhor das hipóteses, avanço de até 4,5%.

As despesas de provisões para créditos de liquidação duvidosa líquidas de recuperação de créditos do Itaú no conceito consolidado devem alcançar de R$ 23 bilhões a R$ 26 bilhões neste ano. A faixa anterior indicava que esses gastos somariam de R$ 22 bilhões a R$ 25 bilhões.

Para os resultados Brasil, que inclui unidades externas com exceção das localizadas na América Latina, o Itaú projeta retração de 11,0% a 6,0% em suas operações de crédito neste ano, contra faixa anterior que sinalizava queda de 1,0% a aumento de 3,0%, na melhor das hipóteses. A margem financeira com clientes pode encolher 1% ou subir até 2% neste ano, contra intervalo de aumento de 1,0% a 4,0% anteriormente.

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