Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Lucro do Santander Brasil cai 41,2% no 2º trimestre sob impacto da pandemia

Resultado do banco espanhol no País foi afetado pelo aumento no colchão contra calotes, que chegou a R$ 3,2 bilhões

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2020 | 08h50

SÃO PAULO  e LONDRES - O Santander Brasil apresentou lucro líquido gerencial, que não considera ágio de aquisições, de R$ 2,136 bilhões no segundo trimestre, quantia 41,2% menor que a vista um ano antes, de R$ 3,635 bilhões. No comparativo trimestral, houve queda de 44,6%.

Os resultados do banco espanhol no País foram afetados pelo reforço nas provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, no total de R$ 3,2 bilhões, por causa da pandemia do coronavírus. O Santander era a única grande instituição financeira de capital aberto no Brasil que não tinha ampliado o colchão para perdas no primeiro trimestre pela covid-19.

Sob os reflexos da pandemia, o lucro líquido do Santander Brasil no primeiro semestre foi de R$ 5,989 bilhões, redução de 15,9% na comparação com o mesmo intervalo de 2019. Analistas veem os números do banco se recuperando de forma mais lenta que os rivais daqui para frente justamente pelo fato de a instituição ter adiado o movimento de reforço nas provisões em meio à crise.

A carteira de crédito ampliada do Santander Brasil encerrou junho com saldo de R$ 466,749 bilhões, alta de 0,7% em relação a março. Em um ano, os empréstimos apresentaram incremento de 18,4%.

O banco perdeu a marca histórica de R$ 1 trilhão em ativos atingida no primeiro trimestre. Ao fim de junho, os ativos totais do Santader Brasil somavam R$ 987,679 bilhões, queda de 1,3% frente a março. Em um ano, contudo, cresceram 18,1%.

Com o reforço nas provisões por causa da pandemia, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) do Santander Brasil também foi atingido. A rentabilidade do banco despencou de 22,3% no primeiro trimestre para 12,0% no segundo.

O patrimônio líquido do banco era de R$ 72,455 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,5% frente ao primeiro. Em um ano, cresceu 5,4%.

Ao contrário do que fazia há anos, o Santander não informou desta vez qual foi a parcela de participação dos países no lucro atribuível ao grupo, mas sim a participação por região. O Brasil tradicionalmente é o maior gerador de resultados do banco no mundo.

A América do Sul contribuiu com 45% do lucro da instituição na primeira metade de 2020 enquanto a atividade do banco na Europa foi responsável por 35% e a na América do Norte, por 20%.

Demissões

O Santander Brasil fechou 50 agências no País e demitiu 844 funcionários durante o segundo trimestre, ápice da pandemia . O banco, assim como os rivais, havia assumido o compromisso de não desligar trabalhadores por conta da covid-19, aderindo, inclusive, ao abaixo-assinado 'Não Demita'.

No início de junho, as demissões feitas pelo Santander Brasil começaram a se tornar públicas diante da denúncia do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O banco explicou, na ocasião, que o compromisso de não demitir havia terminado em maio.

O Santander Brasil encerrou junho com 46.348 mil funcionários no País ante 47.192 mil em março. A rede de agências físicas somava 2.209 unidades contra 2.259, nos mesmos períodos.

As despesas gerais do Santander Brasil, que incluem gastos administrativos e pessoais, totalizaram R$ 5,191 bilhões no segundo trimestre, queda de 1,9% frente ao primeiro. Em um ano, ficaram praticamente estáveis, com queda de 0,2%.

De acordo com o Santander, no semestre, o aumento das despesas gerais foi influenciado pelo maior gasto com processamento de dados para suportar a transformação digital do banco, intensificada nos últimos meses em meio à pandemia, e o aumento das transações de autoatendimento. / COLABOROU CÉLIA FROUFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.