Epitácio Pessoa/Estadão
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Lucro do Santander Brasil cresce 82,7% e chega a R$ 3,9 bilhões no 3º trimestre

Apesar da melhora do resultado, analistas acreditam que banco poderá ser obrigado a aumentar provisões para calotes nos próximos trimestres

André Ítalo Rocha, Matheus Piovesana e Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 08h10
Atualizado 27 de outubro de 2020 | 15h59

O Santander Brasil registrou lucro líquido de R$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre de 2020, alta de 82,7% em relação ao trimestre anterior e 5,3% sobre igual período de 2019, informou balanço do banco publicado nesta terça-feira, 27. O resultado veio 35% acima da média do que esperavam os analistas para o período e foi creditado sobretudo à redução das despesas com reservas para eventuais calotes. 

No entanto, analistas de mercado ponderam que a recuperação da economia depois do baque da pandemia de covid-19 é incerta e que o resultado positivo registrado entre julho e setembro pode não ser sustentável daqui em diante. Uma das questões que assombram o Santander, e todos os demais bancos, são as dívidas que tiveram pagamentos prorrogados lá no início da pandemia e que agora começam a vencer.

O vice-presidente executivo do banco, Angel Santodomingo, admitiu ontem, depois da divulgação dos resultados, que poderá haver uma pressão nos indicadores de inadimplência do banco. A carteira de títulos prorrogados do banco hoje tem um índice de atrasos acima de 90 dias de 5,1%. Santodomingo evitou classificar a situação como um problema, porém: "Temos conforto".

O banco informou, em seu balanço, que não precisou recorrer aos R$ 3,2 bilhões de provisões extraordinárias feitas no segundo trimestre para fazer frente à inadimplência prevista em decorrência da crise trazida pela pandemia de covid-19. “Não tivemos de lançar mão do provisionamento (...), o que demonstra nossa capacidade de gestão de risco", afirmou o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, em nota.

Carteira de crédito

A carteira de crédito teve expansão de 3,8% no terceiro trimestre, em relação ao período imediatamente anterior, para R$ 397,4 bilhões.  "A carteira está se comportando de maneira natural e está tendo um desempenho até melhor que o esperado. Por isso não esperamos ter mais provisões extraordinárias", disse Santodomingo.

As pequenas e médias empresas foram as que mais apresentaram crescimento na carteira de crédito do Santander Brasil no período, com avanço 40,5% sobre o ano passado. Em 12 meses, também houve forte alta nas operações para grandes companhias (33,5%), enquanto para as pessoas físicas o avanço foi mais discreto (11.6%).

Os ativos totais do Santander Brasil atingiram R$ 982,2 bilhões em setembro, com expansão de 17,1% em relação a igual trimestre do ano passado. O patrimônio líquido alcançou R$ 76,8 bilhões no mesmo período. No acumulado do ano, as receitas totalizaram R$ 52 bilhões, crescimento de 5,7% em 12 meses. 

Proteção contra calote

As despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) do Santander Brasil caíram 55,4% no terceiro trimestre, em relação ao trimestre anterior, para R$ 2,9 bilhões. Em relação ao terceiro trimestre de 2019, a queda foi de 7,5%. No acumulado do ano, contudo, a provisão extraordinária puxou as despesas com PDD para uma alta de 39,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 14,9 bilhões.

Para analistas do Morgan Stanley, no entanto, o "cobertor" do Santander para um eventual aumento de calote está curto em relação ao cuidado dos outros bancos. Os analistas Jorge Kuri, Jorge Echeverria, Eugenia Sanchez e Alexandre Namioka, dos times do Morgan nos Estados Unidos e do Brasil, disseram, em relatório: "O risco do Santander é que sua taxa de reservas ainda está bem abaixo dos pares, em 6,3% neste trimestre versus uma média de 8% nos pares." 

Apesar de o banco dizer o contrário, eles não descartam que o Santander tenha de elevar provisões no futuro: "A taxa estendida de cobertura está em apenas 80%, versus uma média de 120% dos pares. É possível que o Santander tenha de voltar a fazer grandes provisões no quarto trimestre deste ano ou no primeiro trimestre de 2021."

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