Edgard Garrido/ Reuters
Edgard Garrido/ Reuters

Lucro do Santander cresce 4,1% e fica em R$ 4 bi no primeiro trimestre

Resultado foi o maior do banco no Brasil para um primeiro trimestre e ficou acima das estimativas de analistas do mercado

Aline Bronzati e Marcelo Mota, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2021 | 07h56
Atualizado 29 de abril de 2021 | 11h29

O Santander Brasil apresentou lucro líquido gerencial, que não considera ágio de aquisições, de R$ 4,012 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 4,1% maior que no mesmo período de 2020. Esse foi o maior resultado para um primeiro trimestre já registrado pelo banco e ficou acima das estimativas de analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, que esperavam lucro de R$ 3,738 bilhões. 

Segundo o presidente do Santander, Sérgio Rial, o desempenho foi construído "produto a produto",  conforme a mensagem que acompanhou o resultado. À primeira vista, o balanço que inicia a temporada de divulgação dos grandes bancos brasileiros parece indicar uma virada de página após o impacto da pandemia sobre a rentabilidade no ano passado. Resta saber se, no Santander, vender mais vai se traduzir em resultados de melhor qualidade de maneira contínua. 

Rial comentou que houve "recorde de produção" em vários produtos em março, do consignado ao financiamento de bens e consumo. A mensagem traz certo alívio, mas a profusão de produtos aumentou as margens com clientes mais por ter puxado para cima o volume de vendas do que por agregar valor. O spread (diferença entre o que os bancos pagam para captar e o que eles cobram dos clientes) nessas operações caiu de 11,3% para 10,6% em um ano.

Junto com a maior receita com os clientes, o índice de eficiência recorde obtido pelo Santander no período (35,2%) ajudou a manter a rentabilidade próxima à do trimestre anterior, de 20,9%, medida no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês). Mas o desempenho pré-covid ainda não voltou: a máquina girava em uma rotação mais elevada um ano antes, quando o ROE foi de 22,3%, e o Santander, ao contrário dos rivais, não fez provisões extras por causa da pandemia.

A margem nas operações com o mercado ainda cresce mais rápido que com clientes, 16,6% contra 4,3%. Juntas, elas resultaram em uma margem financeira bruta de R$ 13,422 bilhões, alta de 6,1% em um ano. No entanto, o mercado deve buscar com lupa informações que indiquem como as receitas com clientes devem se comportar à frente. 

Inadimplência estável

A carteira de crédito ampliada do banco encerrou março com R$ 497,566 bilhões, 2,9% menor que no fim do ano passado. Na comparação anual, a carteira se expandiu em 7,4%. O custo do crédito subiu de 2,5%, no último trimestre de 2020, para 2,6% nos três meses encerrados em março.

A inadimplência acima 90 dias se manteve estável em 2,1% na comparação com o período imediatamente anterior. Os empréstimos em atraso de 15 a 90 dias cresceram de 2,8% para 3,6%, entre os dois últimos trimestres. As despesas com provisão para créditos de liquidação duvidosa, as chamadas PDDs, somaram R$ 3,914 bi no primeiro trimestre deste ano, 8,45% mais que no último trimestre de 2020.

Os ativos totais detidos pela subsidiária brasileira do banco espanhol se retraíram em 2,2% se comparados a um ano antes e encerraram o primeiro trimestre em R$ 978,15 bilhões. O patrimônio líquido, por sua vez, avançou 7,4% na mesma comparação, e alcançou R$ 77,763 bilhões no período encerrado em março.

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