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Lucro do Santander no Brasil recua 11%

De janeiro a setembro, lucro líquido somou R$ 2,7 bilhões e, apesar da queda, País respondeu por 25% dos resultados mundiais

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h06

O Santander teve lucro líquido de R$ 2,7 bilhões nos nove primeiros meses do ano, queda de 11% ante igual período de 2010. No terceiro trimestre, o resultado foi de R$ 866 milhões, redução de 15% ante os meses de julho a setembro do ano passado, de acordo com números divulgados pelo banco espanhol no padrão contábil brasileiro.

O País é o mercado que mais contribui com os resultados mundiais do Santander, depois da Europa, e respondeu sozinho por 25% do resultado. Na Espanha, o banco reportou ontem lucro global de € 5,3 bilhões no ano, queda de 13%.

A queda do lucro no Brasil ocorreu por causa do aumento das despesas, especialmente nos gastos com provisões para devedores duvidosos, que cresceram 46% em 12 meses.

As operações de crédito tiveram alta de 18% no ano e de 7% no trimestre, com a carteira fechando setembro em R$ 188 bilhões. Já as despesas administrativas e de pessoal cresceram 9,8%, por causa da expansão da rede de atendimento e do dissídio dos bancários.

O presidente do Santander, Marcial Portela, destaca que o crescimento trimestral do crédito foi recorde para o banco no Brasil. "Nosso posicionamento no País é de confiança forte na perspectiva de crescimento. Temos um nível de capitalização privilegiado, na qual podemos continuar a crescer no crédito nos próximos meses", disse o executivo.

O crescimento dos empréstimos foi impulsionado principalmente pelas pessoas físicas, com alta de 20%, e pequenas empresas, com 23,5%. Na pessoa física, Portela destaca a alta anual de mais de 30% no financiamento habitacional e em cartões de crédito.

As taxas de inadimplência ficaram estáveis no terceiro trimestre ante o período anterior. O indicador total, para atrasos acima de 90 dias, fechou setembro em 4,3%. Na comparação com o mesmo mês de 2010, a inadimplência teve pequena alta, pois naquele período estava em 4,2%.

Ao contrário do Bradesco, o Santander não fez provisões extras para devedores duvidosos. Na avaliação de Portela, a taxa de calotes tende a se manter estável até o fim do ano ou pode até cair, por conta da melhora da economia interna com o pagamento do 13.° salário.

"O cenário de inadimplência alta do início do ano está ficando para trás", disse ele.

Com a crise na Europa, que vem contaminando vários bancos da região, Portela disse que aumentaram os questionamentos sobre o envio de dinheiro gerado no Brasil para a matriz em Madrid.

Segundo ele, pela estrutura mundial do banco, as subsidiárias têm estrutura independente da matriz e é impossível remeter dinheiro, a não ser pela forma legal, que é o envio de dividendos. "O banco na Espanha está bem capitalizado", disse ele.

Negócios. Ao contrário do que fez recentemente nos Estados Unidos, onde se desfez das operações de financiamento, o Santander não pretende sair de negócios no Brasil. "Não há ativos para desinvestir nem para investir no País", disse Portela. "O foco é o crescimento orgânico", afirmou.

Entre 2011 e 2013, o Santander pretende abrir de 100 a 120 novas agências por ano. Os ativos totais do banco chegaram a R$ 435,9 bilhões.

O analista de bancos do Goldman Sachs, Jason Molin, destaca que o resultado do Santander veio acima das expectativas. O analista ressaltou o crescimento expressivo do crédito, especialmente do financiamento ao consumo.

"Ainda não está claro se esta expansão será sustentável", destaca em relatório enviado a clientes.

O ponto negativo destacado pelos analistas é a baixa rentabilidade do banco espanhol no Brasil, na casa dos 10%, enquanto os grandes bancos brasileiros têm indicador acima de 20%.

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