Lucro dos bancos e impostos são metade do spread bancário

Estudo do Banco Central mostra ainda que inadimplência tem grande peso na composição do spread

Fernando Nakagawa,

18 de dezembro de 2009 | 15h18

O lucro dos bancos e os impostos são cada vez mais importantes e, juntos, já respondem por metade da composição do spread bancário, que é a margem cobrada pelas instituições financeiras nos empréstimos. A informação consta do Relatório de Economia Bancária e Crédito divulgado nesta sexta-feira, 18, pelo Banco Central. Em 2008, 49,8% do spread era composto de lucro dos bancos e impostos. Um ano antes, a fatia era de 41%. Em contrapartida, a fatia do spread relativa à inadimplência e aos depósitos compulsórios caiu em 2008.

 

O estudo divulgado pela autoridade monetária mostra que a margem de lucro cobrada pelas instituições financeiras correspondeu a 28,3% do spread médio nos empréstimos prefixados em 2008. Um ano antes, a fatia era quase quatro pontos porcentuais menor, de 24,4%.

 

Ao mesmo tempo, a fatia relativa aos impostos diretos e indiretos subiu de 16,6% para 21,6%.

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Em trajetória contrária, com perda de importância na composição do spread, a fatia direcionada a cobrir prejuízos gerados pela inadimplência caiu de 39,7% para 35,7% no período. Apesar da redução, essa ainda é a maior parcela individual na composição do spread bancário. Também em queda, a parcela do depósito compulsório caiu de 3,8% para 1,1% no período que coincide com a forte redução dos depósitos como forma de aumentar a oferta de recursos disponíveis no mercado em meio à crise.

 

Segundo o estudo do BC, o spread bancário foi composto da seguinte forma em 2008: 13,2% pelo custo administrativo, 35,7% por inadimplência, 1,1% por compulsório, 8,5% por encargos fiscais (impostos e Fundo Garantidor de Crédito), 13,18% de impostos diretos e 28,26% de margem do banco.

 

Tais números constam do levantamento feito pelo Banco central com base em metodologia antiga. A Autoridade monetária apresentou também números feitos com uma nova metodologia, na qual o cenário se altera completamente.

 

Nova metodologia

 

Assim, a nova metodologia mostra que o lucro dos bancos se manteve estável no período, variando de 29,22% em 2007 para 29,43% do spread em 2008. Já no caso da inadimplência houve aumento de 1 ponto percentual. A fatia passou de 32,7% para 33,6%.

 

Também segundo esse novo cálculo houve aumento dos impostos mais custo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na composição do spread, que passou de 19,4% para 23,34%. No caso dos custos administrativos, houve queda. Passando de 18,64% para 13,63%.

 

Segundo informa o Banco Central em relatório, a alteração mais relevante na nova metodologia foi a estimação do efeito dos subsídios cruzados causados pelo direcionamento obrigatório de parte das carteiras dos bancos para o crédito rural e habitacional. Ainda segundo o BC, a inclusão dos créditos direcionados exigiu uma revisão da metodologia da decomposição do spread, sendo considerada como taxa de captação dos bancos uma média ponderada entre o juro oferecido nos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), além das taxas dos depósitos da caderneta de poupança e dos depósitos à vista.

 

(Com estadao.com.br)

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