Renda extra

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Lucro em qualquer estação

Aprenda como os negócios sazonais podem ser rentáveis o ano todo

Marilena Rocha, O Estadao de S.Paulo

17 de dezembro de 2008 | 00h00

O verão chegando e você se perguntando sobre o que fazer para mudar de vida, ganhar dinheiro com algo mais prazeroso e ser dono de seu próprio negócio. De acordo com os especialistas, todas as estações ao longo do ano podem gerar ótimos pontos de comércio ou serviços, e vão lucrar mais os que souberem buscar diferenciais que permitam, por exemplo, que um negócio aberto na alta temporada do calor também renda bons frutos em pleno inverno.''A mudança de ambientes e cardápios num restaurante vai assegurar a clientela de janeiro a dezembro. Ou seja, num mesmo espaço físico é possível conciliar necessidades de inverno (pratos quentes, caldos e vinhos num lugar acolhedor) com hábitos de verão (saladas e chopes numa área bem ventilada e descontraída)'', exemplifica o consultor de Orientação Empresarial do Sebrae-SP, Sergio Diniz.Para quem está pensando em abrir uma sorveteria, uma pousada ou mesmo produzir moda para faturar no verão, Diniz tem até uma equação para ajudar na organização do negócio: 4q + 1poc. O que fazer (como se planejar); quando (às vezes as oportunidades são temporárias); quem (definição de recursos humanos, ou seja, vai precisar de tantos colaboradores) e quanto (recursos financeiros e equipamentos). E mais: o porquê de a oportunidade surgir; onde, isto é, o ponto geográfico mais indicado e o como fazer para o negócio dar certo. Ter a exata noção da sazonalidade é outro fator indispensável. ''Nas pesquisas que precedem a abertura do negócio, o interessado deve levantar o máximo de informações, incluindo a concorrência, para não ser apenas um a mais. Tem de buscar justamente o diferencial para atrair o cliente'', orienta.Foi seguindo um roteiro semelhante que a Petrô Confecções se estabeleceu em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. A costureira aposentada Petronilha Dias Ribeiro, de 57 anos, há muito vem apostando na extensa área litorânea do País. Por quase dez anos, ela, a filha Ana Paula Hofmann e uma amiga se dedicaram à produção informal de moda praia (maiôs, biquínis, shorts). ''Nós vimos que havia bastante espaço para crescermos nessa área'', conta Ana Paula Hoffmann.No início elas produziam as peças só entre julho e agosto. Mas a clientela foi surgindo e querendo montar estoques, exigindo que elas esticassem o período de produção. Hoje, a Petrô Confecções emprega 20 pessoas e produz por mês cerca de 12 mil peças. Desse total, cinco mil são exportadas por clientes para a Europa e Estados Unidos. Formada em matemática, Ana Paula até fez um curso de administração do Senac para gerir melhor os negócios. ''Acho que o segredo é buscar meios de produzirmos o ano todo. Tanto que há mais de três anos ingressamos também na área de peças para aeróbica'', conta. É com orgulho que revela estar se estruturando para abrir uma loja própria. ''Logo, logo'', sorri.Os 8 mil quilômetros de litoral brasileiro atraem todos os anos milhões de turistas. É a alegria de barraqueiros, donos de quiosques e pousadas. Estudo recém-publicado pelo Sebrae, A Economia da Praia, mostra que mais de 90% dos que exploram negócios ao longo da faixa litorânea são autônomos e preocupam-se mais em obter dinheiro para a subsistência.O levantamento se estendeu por praias do Rio, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. Além de água de coco, cerveja, sorvetes, milho verde, mariscos e sanduíches, a pesquisa identificou outros negócios à beira-mar, como a venda de vestidos, cangas, lenços, redes e bijuterias. Há quem ofereça serviços de massagens, tatuagens e até aulas de surfe. Há oito anos, encantado com a beleza da Praia de São Miguel do Gostoso, a 100 km ao norte de Natal, o jornalista Emanuel Néri investiu na Pousada dos Ponteiros, no Rio Grande do Norte. Há mais de 30 anos radicado em São Paulo, foi a forma que ele encontrou de estar sempre voltando à sua terra ao mesmo tempo que garante uma renda adicional. A sazonalidade dos negócios não intimidou Néri. ''Logo descobri que isso é como sorvete no inverno. Diminui o consumo, mas ainda assim vende. Ou seja, eu consigo ter movimento na pousada durante o ano inteiro'', garante. A altíssima temporada ocorre no verão, começa em dezembro e vai até março. ''Nas férias escolares de julho passamos por um período de média temporada, que engata com as férias na Europa, em agosto, com a vinda, principalmente, de turistas portugueses. Afinal, Natal fica a apenas seis horas de avião de Lisboa'', comemora.Segundo Néri, o segredo é manter uma estrutura bem enxuta. ''É preciso saber dosar. Não pode inchar para não ter de cortar no período de vacas magras. Mas tem de manter um número médio de pessoas para fazer frente aos picos que nos surpreendem na baixa temporada. O certo é aproveitarmos bem a alta temporada e nos resguardar para cobrir as despesas da baixa temporada'', diz.VISIBILIDADEO frio também propicia bons negócios, como demonstra o sucesso do turismo na Serra Gaúcha ou de Campos do Jordão (SP), por exemplo. Neste último o destaque fica por conta do Shopping Market Plaza, montado exclusivamente durante o inverno. ''São 115 pontos de vendas e de entretenimento a partir do feriado de Corpus Christi até agosto. Já nos outros oito meses o local é ocupado por congressos, feiras e outros eventos'', explica o gerente comercial do Campos do Jordão Convention Center, Luiz Padovan.Na temporada de inverno, todos os anos são mobilizadas cerca de 300 pessoas para montar o shopping. ''Com as lojas funcionando, são outras 200 pessoas trabalhando diariamente. E depois, na média e baixa temporada, temos, conforme o evento até 100 pessoas mobilizadas para o local, um prédio multifuncional'', diz o executivo.A Petit, que trabalha com artigos para crianças de zero a dez anos, fez sua estréia este ano no Market Plaza. ''Gostamos tanto que já fechamos contrato para o ano que vem'', confirma a gerente de marketing, Vania Marola. Com 11 lojas em São Paulo, em Campinas e Santo André, a Petit foi para Campos como forma de divulgar a marca. ''A intenção era de participarmos institucionalmente. Mas na última semana vendemos muito bem até carrinhos de bebê, além de meias, cachecóis e botas. A experiência foi tão boa que a Petit já pesquisa a possibilidade de repetir a dose junto às praias.Também a Billabong, especializada em artigos de surfe, aprova o shopping sazonal de Campos do Jordão. Presente em cinco shoppings no Rio e em São Paulo, a loja vê no centro de compras de inverno a possibilidade de tocar mais de perto seu público consumidor. ''Entre vários objetivos está a questão da visibilidade da marca, muito mais do que a venda ou o aspecto comercial no local'', confirma José Carlos Sampaio.

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