Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Lucro do FGTS deverá ser distribuído no 2º semestre; saiba como funciona o rendimento

Caixa Econômica Federal tem até o dia 31 de agosto para divulgar valores de receita aos trabalhadores

Fabio Tarnapolsky e Natália Coelho, especial para o ‘Estadão’

23 de junho de 2022 | 10h07

Titulares de contas ativas ou inativas no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) terão acesso em agosto à distribuição de lucro obtida em 2021. A Caixa Econômica Federal ainda não divulgou a data oficial e as cifras obtidas, e a previsão é de que as informações sejam lançadas até 31 de agosto. Terão direito à distribuição os trabalhadores que tinham saldo positivo até 31 de dezembro de 2021.

O FGTS tem retorno de 3% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR). Sua aplicação é motivo de discussões em relação a investimentos, muitas vezes pelo fato de o rendimento ficar abaixo da inflação – com raras exceções.

Os titulares das contas no fundo podem retirar o dinheiro em casos especiais, como o recente programa de saque extraordinário de R$ 1.000, ou por motivos específicos, que incluem demissão sem justa causa, término de contrato por prazo determinado, falência, doença grave e aposentadoria.

Investimento e FGTS

De acordo com Fabio Gallo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, o FGTS não tem desempenho superior a outras formas de investimento, mas vale a pena fazer a retirada quando possível para o pagamento de dívidas. Além disso, caso o titular tenha sua reserva financeira inteira no fundo, “não é recomendável colocar em renda variável ou qualquer outra do tipo”.

“Tirando 2019 e 2020, até a caderneta de poupança ganhou do rendimento do FGTS, pois ela paga 6,17% ao ano mais a variação da TR”, disse Gallo. “Não tem comparação obviamente com o fundo que é 3%. Mesmo com esse recebimento do lucro, não chega perto da caderneta.”

Os anos citados por Gallo foram favoráveis ao FGTS em questão de rendimento por conta da queda da Selic, a taxa básica de juros do Banco Central. Isso fez com que o rendimento da poupança, considerado de baixo risco, tivesse retorno menor que o fundo.

“Se (o trabalhador) estiver em uma situação de dívida, é melhor deixar de pagar juros, sacar e quitá-la. Se realmente não precisar, pode pegar o dinheiro e investir em título do Tesouro ou em um CDB ou RDB (depósitos bancários para aplicação em renda fixa). Qualquer outro tipo vai dar mais rendimento.”

Em 2021, o lucro do FGTS referente ao ano de 2020 aprovado para distribuição foi de R$ 436,2 bilhões. O valor foi dividido entre as mais de 191 milhões de contas ativas e inativas do FGTS, de forma que a cada R$ 100 na conta do trabalhador, era creditado R$ 1,86 por parte da Caixa. Segundo o banco, a rentabilidade anual do FGTS foi de 4,92%, maior que o rendimento da poupança, de 2,11%, e 9% maior que o IPCA – medidor da inflação.

“O dinheiro é aplicado, há um comitê gestor que o investe em projetos do próprio governo. É daí que vem o lucro”, explicou Gallo. “Eu, particularmente, sempre advoguei que essa participação do público deveria ser maior na gestão do dinheiro, afinal, ele não é do governo, e sim uma contribuição dos trabalhadores e das empresas para uma forma de poupança forçada.”

Apesar de fazer a gestão dos valores do fundo de garantia, a Caixa Econômica Federal não influencia em seu rendimento ou aplicação, como relembra o professor. “O governo permitiu que a instituição tenha a gerência do comitê gestor e que recebesse como outro fundo qualquer.” 

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