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BTG surpreende mercado com balanço antecipado

Para acalmar investidores, banco divulgou antes de serem auditados os dados do 4º trimestre, que traz os efeitos da prisão de André Esteves

Fernanda Guimarães, Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2016 | 09h15

Depois de adotar medidas táticas para salvar sua liquidez após a prisão de André Esteves, seu ex-presidente, o BTG Pactual surpreendeu o mercado ao antecipar a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2015. O objetivo era, com mais informações, acalmar os investidores. O balanço, que coloca em evidência os efeitos da prisão de Esteves e as medidas tomadas pelos sócios desde então, não teve os dados auditados. 

Nesta terça-feira, 19, após a divulgação, as units do BTG Pactual subiram 3,38%, para R$ 14,37. O Ibovespa avançou 0,32%.

“A auditoria ainda não teve tempo, mas nós, em conjunto com os auditores, temos confiança de que esses números estão concluídos e, em um momento como esse, o melhor é antecipar o máximo, com a maior transparência”, destaca João Dantas, diretor executivo de Relações com Investidores da instituição. 

Segundo ele, com os números financeiros em mãos, ficam mais claros os efeitos das medidas tomadas ao longo das últimas semanas. O balanço auditado, prevê o executivo, deverá ser publicado “muito antes do fim do prazo legal”, que vai até o fim de março.

Venda de ativos. Nada altera, porém, o processo de encolhimento do banco que, de acordo com ele, segue em curso. Diversos ativos da instituição foram colocados à venda após a prisão de Esteves. Segundo o diretor de relação com investidores do BTG, as negociações mais avançadas incluem o braço de seguros, que contempla a Pan Seguros e a Pan Corretora, para o qual um contrato de exclusividade foi fechado com a francesa CNP Assurances, e ainda o suíço BSI (leia mais ao lado). 

Dantas afirma que negociações de outros ativos também podem avançar no curto prazo, bem como a venda de carteiras de crédito, mas não forneceu mais detalhes. Até agora, o BTG já se desfez de R$ 14 bilhões em ativos de investimentos proprietários e do portfólio de crédito. Além da participação na Rede D’or, o BTG vendeu sua fatia na Recovery e na BR Properties.

Para dar prosseguimento a esse processo de desinvestimento, Dantas afirma que o banco realizou mais alguns ajustes no preço de seus ativos, com marcação ao mercado, mesmo movimento que foi realizado na carteira de crédito. “Os preços agora refletem um valor de realização em um espaço mais curto de tempo”, explica, lembrando que outro contexto de mercado pode pedir alguma mudança, mas que, no momento, a precificação está atualizada.

Liquidez. Ele afirma que, após o evento de estresse que abateu o banco, no dia 25 de novembro, com a prisão de Esteves, o BTG colocou seus negócios em uma perspectiva conservadora, tendo como objetivo conseguir trabalhar na sua venda de ativos de forma mais calma, muito embora a meta seja o desinvestimento em um curto prazo. “Os reguladores no mundo apontam a necessidade de um caixa suficiente para passar um mês em um cenário de estresse e hoje temos suficiente para passar quase um ano”, explica.

Segundo ele, apesar de o banco se preparar para um cenário máximo de estresse, em que a captação, por exemplo, é nula, não é esse o quadro esperado pelo executivo. Pelo contrário. Dantas garante que o BTG já atingiu estabilidade em todas as suas áreas de negócios e que a saída de recursos dos braços de gestão de recursos e de fortunas já foi estancada. Observa ainda que alguns clientes já iniciaram conversas com o objetivo de retomar negócios com o banco.

De outubro a dezembro, os ativos sob administração da área de gestão de recursos do BTG diminuíram em R$ 38,0 bilhões, para R$ 192,5 bilhões em relação à cifra registrada nos três meses anteriores. O banco espera que o primeiro trimestre de 2016 ainda venha acompanhado de um número negativo nesta linha de negócio. Já o segmento de wealth management, que gere grandes fortunas, deve ficar no zero a zero ou, no melhor cenário, ter resultado “marginalmente positivo”, disse o co-presidente da instituição, Marcelo Kalim, em conversa com analistas e investidores.

O BTG Pactual encerrou dezembro com R$ 266,5 bilhões em ativos totais, montante 12% menor que o de R$ 302,8 bilhões registrados em setembro. No período, seu lucro líquido foi a R$ 1,229 bilhão, crescimento de 44,9% ante o quarto trimestre de 2014. Em relação ao terceiro trimestre, houve queda de 18,6%. Em 2015, os ganhos líquidos do BTG somaram R$ 4,616 bilhões, alta de 35,3% na comparação com o ano anterior.

Sobre o encolhimento do banco já respingar no quadro de talentos, conforme fontes ouvidas pelo Broadcast, Dantas diz que ainda não há definição sobre isso. No quarto trimestre, os bônus pagos pelo BTG aos seus sócios diminuíram em quase 8%. No ano, porém, cresceram 78%. “Nas próximas semanas, após a divulgação de resultados que sempre é um evento importante, vamos tomar decisões mais estratégicas. Não tem nada decidido”, garante ele.

Em relação à possibilidade de fechar o capital da companhia na Bolsa, Dantas afirma que ainda ocorrerá muita conversa e ponderação e que qualquer afirmação nesse sentido seria “precipitada”. 

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