Lucro menor das empresas afetou intenção de investimentos, aponta FGV

No 1º trimestre, 43% das empresas da indústria da transformação relataram ter dificuldades para realizar investimentos  

Daniela Amorim, da Agência Estado,

19 de junho de 2012 | 14h08

RIO - No primeiro trimestre de 2012, 43% das empresas que compõem a indústria da transformação relataram ter alguma dificuldade para a realização de investimentos. No mesmo período de 2011, esse porcentual era de 33%, segundo a Sondagem Trimestral de Investimentos da Indústria, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas. O principal fator que vem inibindo investimentos no setor é a limitação de recursos das empresas. Entre as companhias que perceberam algum entrave, 46% mencionaram a limitação de recursos, contra 34% no ano anterior. Foi a maior proporção de empresas com este tipo de queixa desde o início da série histórica da pesquisa, em 2004.

"Para entender esse movimento, fomos olhar lucro operacional das empresas e, realmente, caiu muito em relação ao ano passado", ressaltou Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV.

O pesquisador levantou o lucro operacional de 102 empresas da indústria da transformação com capital aberto que divulgaram balanço nos últimos anos. O lucro operacional total dessas empresas foi de R$ 8,5 bilhões no primeiro trimestre de 2012, mesmo período da coleta de informações da Sondagem de Investimentos. O resultado foi consideravelmente inferior ao verificado no primeiro trimestre do ano passado nas mesmas empresas, de R$ 10,2 bilhões, e no primeiro trimestre de 2010, quando atingiu R$ 10,8 bilhões. "Realmente, o lucro está menor. Foi o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, quando ficou em R$ 6,1 bilhões", afirmou Campelo.

As incertezas sobre a demanda estão aumentando entre os empresários, mas permanecem em patamar inferior ao verificado em 2009, ano da crise. Entre as empresas que enxergam algum fator limitativo à realização de investimentos, 34% apontaram dúvidas sobre a demanda por seus produtos no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2009, esse porcentual era de 50%. No entanto, a fatia ainda ficou muito acima da verificada no primeiro trimestre do ano passado, quando apenas 19% viam incertezas acerca da demanda.

A fatia de empresários que culpam a carga tributária elevada como limitadora de investimentos ainda é alta, 35%, mas recuou em relação ao ano passado, quando somava 42%.

"A percepção sobre a carga tributária como problema diminuiu. Mas houve desonerações pontuais para alguns setores, então faz sentido", explicou Campelo.

Entre as categorias de uso, a limitação de recursos foi apontada como um dos maiores entraves ao investimento. Mas, no setor de bens duráveis, houve destaque ainda para a taxa de retorno inadequada e incertezas sobre a demanda, enquanto que no setor de bens de capital figuraram mais queixas sobre o custo do financiamento e dúvidas sobre demanda por produtos.

Tudo o que sabemos sobre:
EmpresaslucroinvestimentoFGV

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.