Lucro semestral do Itaú cai pela 1ª vez em dez anos

Segundo levantamento da Economática, que soma resultados de Itaú e Unibanco, queda de resultado não ocorria desde 2002

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h06

Pela primeira vez em dez anos, o lucro semestral do Itaú registrou queda. Nos seis primeiros meses deste ano, o maior banco privado brasileiro teve um ganho de R$ 6,7 bilhões, contra R$ 7,1 bilhões no mesmo período de 2011. A redução de 5,6% na comparação decorreu, sobretudo, do aumento da inadimplência.

Segundo a empresa de informações financeiras Economática, a última vez em que uma queda dessas havia ocorrido foi em 2002. No primeiro semestre do ano anterior, o banco havia lucrado R$ 1,5 bilhão. Nos seis primeiros meses de 2002, o ganho recuou a R$ 1 bilhão.

Para os cálculos, a Economática considerou Itaú e Unibanco como uma só instituição mesmo quando eles ainda operavam em separado, antes da fusão anunciada em novembro de 2008.

A queda do lucro do Itaú foi anunciada um dia depois de o Bradesco, segundo maior banco privado do Brasil, revelar uma desaceleração do crescimento dos resultados semestrais. Entre janeiro e junho de 2012, o banco teve lucro de R$ 5,6 bilhões, um avanço de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Pagamentos em atraso. A inadimplência das pessoas físicas - sobretudo em automóveis - foi o principal fator que determinou o resultado do Itaú também no segundo trimestre (afetando, consequentemente, em todo o balanço do semestre). A instituição lucrou R$ 3,3 bilhões no período, o que representou uma queda de 8,3% em relação ao mesmo período de 2011.

Apesar da baixa nos resultados em comparação com 2011, os investidores gostaram dos números. As ações do Itaú Unibanco subiram 2,91% na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), enquanto o principal termômetro do mercado, o índice Ibovespa, perdeu 0,75%. A explicação, segundo operadores de mercado, é de que os resultados foram levemente superiores às projeções de analistas do setor.

O índice de inadimplência total para atrasos superiores a 90 dias subiu para 5,2% no Itaú no período de abril a junho, contra 5,1% nos três primeiros meses do ano. Nas pessoas físicas, também houve elevação - de 6,7% para 7,3%, na mesma comparação. Entre as empresas, porém, o banco registrou queda de 3,7% para 3,5%.

"Gostaria de destacar que, se não fosse o desempenho no segmento de automóveis, a inadimplência total teria caído para 4,7%", observou o diretor corporativo de Controladoria e Relações com Investidores do Itaú, Rogério Calderón. "Aliás, excluindo a área de veículos, podemos dizer que a inadimplência já estaria estável desde dezembro do ano passado", completou o executivo.

Calderón atribuiu o mau desempenho do setor automotivo a problemas ocorridos entre o fim de 2010 e início de 2011. Naquele momento, explicou, os bancos exigiam entradas menores dos clientes e financiavam os automóveis a prazos mais longos do que hoje. "Começamos a ser mais seletivos na área, exigindo entradas maiores", explicou.

A cautela do banco em veículos se reflete nas perspectivas para a carteira de crédito em 2012. Calderón confirmou a informação antecipada pelo Estado no início do mês de que o banco revisaria para baixo a previsão de expansão do crédito neste ano.

A expectativa anterior, de alta entre 14% e 17%, foi agora revisada para 10%. "Mas, se excluirmos veículos, a alta esperada sobe para o intervalo entre 13% e 15%", observou. O executivo explicou que não houve alteração significativa na quantidade de automóveis financiados pelo banco.

Mas, com a exigência de entrada maior, o montante emprestado vem caindo. No fim de 2011, a carteira de crédito de veículos somava R$ 60 bilhões. A expectativa é de que encerre 2012 entre R$ 50 bilhões e R$ 52 bilhões.

Calderón afirmou que a tendência para a inadimplência é de queda no segundo semestre. Na pessoa física, porém, o banco ainda espera novas altas.

O executivo observou, ainda, que "as despesas (com provisões para devedores duvidosos) continuam grandes, acima do patamar usual". "Mas já mostram desaceleração. Isso nos permite projetar um futuro melhor para o terceiro e quarto trimestres."

Spread. Com a provável desaceleração da alta da inadimplência, o spread bancário tende a se reduzir, de acordo com Calderón.

O executivo destacou que a inadimplência é componente importante do spread, a diferença entre a taxa que o banco paga para captar recursos e a que cobra ao emprestar para o cliente.

Calderón também explicou que o Itaú vem aumentando a exposição em segmentos do crédito nos quais a inadimplência é tradicionalmente mais baixa.

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