Lucros das empresas chinesas desabam

Desaceleração provocou queda; Bolsa de Xangai tem pior resultado desde a crise de 2009

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h05

Maior companhia aérea internacional da China, a Air China anunciou ontem queda de 77% dos lucros no primeiro semestre ante igual período do ano passado, em um retrato do impacto da desaceleração econômica sobre os balanços de várias empresas do país.

Os resultados anêmicos de setores tão distintos como fabricação de aço e venda de roupas esportivas levaram o índice da Bolsa de Xangai ao menor nível desde 2009, auge da crise global.

A China Southern, líder do mercado de aviação doméstico, apresentou no primeiro semestre lucro 85% menor que o obtido entre janeiro e junho de 2011. A gigante petroleira Sinopec viu seus resultados líquidos caírem 40% no mesmo período, para o menor nível desde 2008. Os lucros da fabricante de carros elétricos BYD despencaram 94%, de 275 milhões de yuans entre janeiro e junho de 2011 para 16 milhões de yuans (US$ 2,5 milhões) em igual período de 2012.

A fraca demanda e a feroz competição no setor reduziram os lucros das produtoras de turbinas eólicas Sinovel e Goldwin em 96% e 83%, respectivamente, para 24,7 milhões de yuans (US$ 3,89 milhões) e 72,1 milhões de yuans (US$ 11,3 milhões). Os resultados são consequência da acentuada desaceleração da economia chinesa, que cresceu 7,6% de abril a junho, nível mais baixo desde o início de 2009.

A expectativa de reação do crescimento no terceiro trimestre foi abandonada depois que indicadores mostraram nível de atividade industrial abaixo do estimado em julho e agosto (segundo dados parciais).

Os dados preliminares do Índice Gerente de Compras do HSBC, divulgado na semana passada, mostrou que os estoques em fábricas e lojas da China tiveram neste mês o mais rápido aumento desde 2004, quando a pesquisa começou a ser realizada.

Perspectiva. Na avaliação de alguns analistas, a situação vai se agravar mais, antes de começar a melhorar. Ontem, a Baosteel, maior fabricante de aço, disse que o terceiro trimestre será o pior do ano. Os lucros da companhia no primeiro semestre caíram 53% em relação a igual período de 2011, para 2,38 bilhões de yuans (US$ 375 milhões).

Diante da persistente queda de suas papéis, a Baosteel anunciou anteontem um plano de investir 5 bilhões de yuans na recompra de suas ações, em uma tentativa de elevar sua cotação.

Empresas voltadas ao mercado consumidor doméstico também enfrentam dificuldades. A principal marca de roupas esportivas chinesas, Li Ning, anunciou que seu lucro no semestre encolheu 85% e pode se transformar em perda até o fim do ano. Segunda maior rede de eletrônicos do país, a Gome alertou que poderá ter prejuízo em 2012.

Os lucros dos bancos continuam a crescer, mas é cada vez maior o risco de mais créditos irrecuperáveis em seus balanços. O China Construction Bank, segundo maior em ativos, afirmou que elevou em 6% as provisões contra calote no primeiro semestre, para 14,7 bilhões de yuans (US$ 2,31 bilhões).

Várias empresas continuam com alta nos lucros, como a fabricante de computadores Lenovo, que ganhou US$ 142 milhões líquidos no primeiro semestre, 30% mais que em igual período de 2011. Mas a média do setor industrial é negativa. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, os lucros do setor caíram 5,7% em julho, após declínio de 1,7% no mês anterior.

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