Lufthansa: Brasil deve ter "visão de futuro" para solucionar crise da Varig

Um dos principais executivos do setor aéreo mundial faz um apelo ao Brasil: que o País e o governo tenham uma "visão de futuro" ao pensar uma solução definitiva para a crise que atinge a Varig. O presidente do Conselho de Administração da Lufthansa Jurgen Weber recebeu nesta terça-feira o prêmio da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha como personalidade do ano, ao lado do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Em um discurso para mais de 500 convidados em um dos museus mais prestigiosos de Berlim, Weber afirmou que os problemas que atingem a Varig são lamentados também por executivos do setor aéreo de outros países que viram a empresa brasileira como uma parceira nos últimos anos. "Dói no coração ver o estado em que se encontra a empresa Varig" , disse Weber em seu discurso de agradecimento pelo prêmio. "O Brasil precisa de uma companhia aérea forte e saudável. Por isso, o País precisa pensar o assunto com uma visão de longo prazo. Só assim encontrará uma verdadeira solução", disse o executivo da Lufthansa para a platéia que incluía do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. O representante do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, porém, não tocou no assunto da Varig ao discursar, após Weber, e apenas ressaltou a importância da relação entre Alemanha e Brasil. Weber contou, ainda, como teria sido ele que, nos anos 90, teve a iniciativa de levar a Varig para fazer parte da Star Alliance, grupo de empresas aéreas lideradas pela Lufthansa. "Desde o início de nossa aliança, eu tinha certeza que tínhamos de ter a Varig conosco", afirmou o executivo. Weber, porém, evitou falar sobre o quê a Lufthansa estaria fazendo para ajudar a Varig em questões como o transporte de passageiros que já tenham milhas pela empresa brasileira. Há cerca de três semanas, a Varig foi suspensa do sistema de compensações da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) por falta de pagamento. Sem poder fazer parte do mecanismo, a Varig não pode solicitar que as demais companhias aéreas do mundo cubram eventuais gastos ou passagens de clientes da Varig que estejam no Exterior e que fiquem, eventualmente, sem vôo de retorno. Opinião A pesquisa CNT-Sensus divulgada nesta terça-feira também mostrou que para 43,8% da população a Varig deve ser ajudada pelo governo federal. Para 41,5% dos entrevistados, no entanto, a empresa não deve receber ajuda financeira do governo federal. Os que não souberam ou não quiseram responder somaram 14,7%. A pesquisa ouviu 2 mil entrevistados em 195 municípios em 24 estados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.