Lugo está numa 'saia justa' com Itaipu, diz diplomata

O diretor do Departamento para a América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, João Luiz Pereira Pinto, disse hoje que o presidente eleito paraguaio Fernando Lugo se meteu numa "saia justa" ao verificar, finda sua campanha eleitoral, a dificuldade prática de se reajustar a tarifa de Itaipu Binacional cobrada do Brasil pela energia não usada pelo Paraguai. "Essa foi uma idéia que alguém deve ter soprado para ele (Lugo) no calor da campanha eleitoral e agora ele vai ficar numa saia justa", declarou Pereira Pinto, em depoimento na audiência pública da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados para discutir possíveis mudanças no Tratado de Itaipu.Segundo o diretor do Departamento para a América do Sul do Itamaraty, Lugo foi "mal assessorado" ao fazer do reajuste da tarifa de Itaipu uma das principais bandeiras de sua campanha eleitoral. "É no mínimo injusto jogar em Itaipu a culpa pelos problemas internos do Paraguai", destacou o diplomata, assinalando que entre esses problemas estão o uso dos royalties pagos por Itaipu ao Paraguai e a prestação de contas dessas aplicações.De acordo com Pereira Pinto, as declarações de Lugo sobre o assunto estão suavizadas, agora, esfriadas as refregas da campanha eleitoral. Informou que ultimamente a expressão "se possível" começou a aparecer nas afirmações do presidente eleito sobre o tema. O diplomata destacou que o reajuste da tarifa "é tecnicamente complexo" e sua utilização como bandeira da campanha eleitoral de Lugo mostra "um profundo desconhecimento" da assessoria da campanha sobre as questões de Itaipu.O chefe do Departamento da América do Sul do Itamaraty enfatizou que o Tratado de Itaipu "é um instrumento jurídico perfeito e equilibrado" e não é o tratado que está em questão. Assinalou que o tratado não se encerra em 2023, prazo previsto para a amortização da dívida formada para a construção da hidrelétrica.

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