Lugo oferecerá ao Brasil pagamento de dívida por Itaipu

Presidente do Paraguai anuncia que dará alternativas à renegociação do contrato da usina hidrelétrica

Associated Press,

09 de maio de 2008 | 15h30

O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, anunciou nesta sexta-feira, 9, que oferecerá ao governo brasileiro duas alternativas para melhorar a situação dos paraguaios em relação à usina binacional de Itaipu. Veja também:Itaipu, um gigante polêmico A primeira seria o pagamento de US$ 10 bilhões, por metade da dívida do Paraguai com a Eletrobrás. A outra é o aumento dos investimentos do País em US$ 2 bilhões anuais, pela venda da eletricidade excedente, sem a necessidade de se renegociar o contrato de exploração, vigente até 2023. "A Eletrobrás diz que a dívida da construção da hidrelétrica de Itaipu desde 1973 é de aproximadamente US$ 20 bilhões, dividida com o Paraguai", explicou Lugo. "Então, temos oferta de vários banqueiros que nos emprestarão US$ 10 bilhões para pagar a metade. Essa é uma possibilidade certa que vou apresentar ao governo brasileiro." O ex-bispo católico apontou que no mercado internacional "o preço atual da usina é de uns US$ 60 bilhões, e a metade é do Paraguai". "Então, essa metade pode entrar como garantia do empréstimo."  A outra solução, para Lugo, seria que "a Eletrobrás pagasse ao Paraguai um preço justo pela compra de sua energia excedente. O preço que acreditamos que deveríamos receber é de US$ 2 bilhões, sem exageros, e não os US$ 300 milhões anuais que nos dão atualmente", avaliou."Se o Brasil aceitar qualquer uma dessas propostas, não haverá necessidade de renegociar o tratado vigente até 2023." Lugo comentou que "o Paraguai é o único país do mundo com uma enorme reserva de energia elétrica, portanto não se compreende como não recebe benefícios justos". Itaipu conta com 20 turbinas geradoras de eletricidade. Dessas, dez são do Paraguai, porém o país só precisa de uma para satisfazer suas necessidades. A produção excedente é vendida à Eletrobrás. Eleito em 20 de abril, Lugo anunciou que pretende rever as condições do acordo que rege os negócios da usina.

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