Nilton Fukuda/Estadão - 21/5/2018
A empresária Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza. Nilton Fukuda/Estadão - 21/5/2018

Luiza Trajano: 'Não conversei com o Lula nem com nenhum outro político'

Empresária elogia texto do ex-presidente sobre ela na revista 'Time', mas afirma que não pretende concorrer a nenhum cargo eleitoral; nesta sexta, ela criticou o aumento do IOF para bancar o novo Bolsa Família

Márcia de Chiara e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2021 | 11h28
Atualizado 17 de setembro de 2021 | 12h59

A  empresária Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, que foi apontada pela revista 'Time' nesta semana como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, afirmou nesta sexta-feira, 17, não ter interesse na carreira político-eleitoral. "Não conversei com o Lula nem com nenhum outro político."

Por sua atuação e sua imagem, ela vem sendo cortejada por políticos para compor uma chapa à presidência da República. O PT é um dos partidos que pensam nisso. Por isso, provocou um burburinho o fato de o texto da Time apresentando a empresária ter sido assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Luiza garantiu só ter ficado sabendo desse fato às 7h da quarta-feira, 15, quando o anúncio foi feito. "Achei que ele foi super isento, foi bem escrito. Sou aquilo que ele escreveu", disse. 

A empresária afirmou que não conversou com Lula nem antes nem depois de o texto da Time vir a público. Questionada se falaria com o ex-presidente depois do prêmio, ela disse querer aproveitar esse caso para unir o País.

“Não conversei com o Lula, nem tive tempo. Não tenho conversado com nenhum político desde que estou no Unidos pela Vacina (grupo que reúne empresários e executivos para auxiliar na distribuição de imunizantes pelo País)”, disse.

Luiza também disse ser a favor de um programa de renda mínima para a população brasileira. Mas afirmou discordar de que isso seja feito via aumento de impostos, referindo-se à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciado pelo governo Jair Bolsonaro na quinta-feira, 16.

“Vou ser curta e grossa. Qualquer aumento de imposto num momento de recessão é ruim. Temos de fazer mais com menos, e não mais com mais. Não dá mais. Como vai ser feito, é um exercício. Fazer mais com mais é fácil. Não se tira o País da pobreza sem passar pela renda mínima, (o vereador e ex-senador Eduardo) Suplicy já fala isso em vários livros”, afirmou.

Protagonismo

Em entrevista a um grupo de jornalistas sobre a premiação, Luiza disse nunca sonhou em ser famosa. Mas ressaltou que sempre foi protagonista, desde menina. “Nunca culpei os outros pelo Brasil não dar certo e acho que o País é meu e tenho que ajudar.”

Além do prêmio da revista Time, a empresária lembrou que, nos últimos anos tem estado entre os líderes de maior reputação mundial, de acordo com  pesquisa de uma consultoria espanhola. “Toda vez que recebo isso, sei que aumenta a minha responsabilidade, mas não tenho o papel de ser perfeita, não entro nesse jogo, e não vou ser unanimidade nunca.”

Quanto aos planos para o futuro, ela disse que o Movimento Mulheres do Brasil, do qual é líder, tem três pautas  prioritárias em andamento. “Temos três  projetos muito grandes. Um é o planejamento estratégico do Brasil baseado nos pilares de educação, saúde, emprego e habitação para os próximos dez anos”, afirmou. 

O outro projeto é ter 50% de mulheres em cadeiras cativas na política.  E o terceiro é voltado para Ciência na Saúde. “Precisamos investir, temos cientistas maravilhosos.”

Por fim, a empresária demonstrou que está longe da política partidária. “Esses  são projetos  muito bons para o Brasil e acho que  a gente pode fazer muito mais fora dos partidos e com os partidos do que dentro dos partidos”, afirmou.

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Como o IOF mais alto afeta empréstimos para pessoas físicas e empresas? Veja simulações

O presidente Jair Bolsonaro aumentou o imposto para bancar o Auxílio Brasil, programa que deve substituir o Bolsa Família

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2021 | 09h40

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro decidiu aumentar a alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito para empresas e pessoas físicas já a partir da próxima segunda-feira, 20. O dinheiro arrecadado será usado para bancar o Auxílio Brasil, programa proposto pelo governo para substituir o Bolsa Família.

A medida encarece os empréstimos no momento em que a taxa básica de juros - que serve como parâmetro  para os bancos - também está subindo. Ou seja, além de juros maiores, o imposto cobrado sobre as operações também aumentará.

De acordo com o decreto publicado nesta sexta-feira, 17, as novas alíquotas diárias do IOF são as seguintes: para pessoas físicas, subirá de 0,0082% (alíquota anual de 3,0%) para 0,01118% (alíquota anual de 4,08%). Nas operações para empresas, a nova taxa será de 0,00559% (alíquota anual de 2,04%), contra  0,0041% (o equivalente a alíquota anual de 1,5%) da atual.

Mas o que esses números significam na prática? O diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) Miguel de Oliveira fez duas simulações (veja no infográfico abaixo).

Para Oliveira, é muito ruim o governo ter aumentado por decreto o imposto em um momento em que a "economia está andando de lado" e as expectativas se deterioram semana a semana, com estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) muito próximas de zero em 2022.

"A inadimplência está mais alta e a queda de renda se acentua com inflação acelerada, a taxa básica de juros impacta com altas consecutivas dos juros cobrados nos empréstimos", pontua o economista sobre o cenário atual. "De um lado, sobe os juros e agora, sobe o imposto. Isso agrava o quadro de consumo, impacta negativamente os financiamentos e dificulta ainda mais qualquer recuperação", diz.

Busca por fonte de financiamento

O secretário especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Bruno Funchal, disse nesta sexta que a solução para o Auxílio Brasil depende da solução da questão dos precatórios e da criação de uma fonte de financiamento.

Em evento organizado pela XP Investimentos e Fucape Business School, Funchal observou que a solução desses impasses tem de ocorrer ainda em 2021, já que a legislação proíbe a criação de um programa de distribuição de renda em ano eleitoral.

"Como tem de implementar este ano, a lógica é: terminando o auxílio emergencial, cai no novo programa, ou seja, nos últimos dois meses", disse. "A gente tem a compensação, aprovando o Imposto de Renda, para 2022 e 2023, e precisa para novembro e dezembro. O IOF, uma parte da explicação, é para compensação do Auxílio Brasil de R$ 300."

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Aumento do IOF não resolve problema do financiamento do Auxílio Brasil, dizem economistas

Para Felipe Salto, da IFI, medida não é a solução para o pagamento do Auxílio Brasil no ano que vem; já o diretor da ASA Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, vê a reeleição como única preocupação

Thaís Barcellos, Cícero Cotrim, Renata Pedini e Marcelo Mota, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2021 | 10h31
Atualizado 17 de setembro de 2021 | 17h18

A elevação temporária do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é insuficiente para a ampliação do Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil e compromete a retomada, segundo economistas. Além disso, as críticas são de que o governo está usando um imposto que deveria ser regulatório com o simples objetivo de encher os cofres, dando a sinalização de que as políticas econômica e fiscal estão a reboque do objetivo eleitoral do presidente Jair Bolsonaro. 

"Isso está sendo contabilizado com outras medidas que o governo tem feito que têm o objetivo único de aumentar o Bolsa Família em um ano eleitoral, como a PEC dos precatórios (dívidas judiciais que a União é obrigada a quitar depois de perder na Justiça) e a reforma do Imposto de Renda", diz  o diretor da ASA Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall.

Para ele, a alta do IOF também é um indicativo, de que, se a reforma do IR não for aprovada, inviabilizando as intenção atual de servir de fonte de financiamento para a versão turbinada do Bolsa Família em 2022, o governo vai lançar mão de qualquer mecanismo para colocar o aumento do benefício para R$ 300 em média de pé. "Vai fazer de tudo que for preciso para colocar o interesse eleitoral na frente", diz Kawall, ponderando que a discussão não é sobre o mérito do Bolsa Família, que é um bom programa.

O diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, Felipe Salto, explica que o aumento do imposto, com a injeção de mais de R$ 2 bilhões na arrecadação até o fim do ano, até ajuda no financiamento do programa até o fim ano, mas não resolve a questão de qual será a fonte em 2022. “Esse aumento do IOF resolve pouca coisa. É preciso apresentar um pacote completo, não uma medida com potencial arrecadatório de menos de R$ 2 bilhões e temporária. Ajuda, mas só parcialmente”, completa. As novas alíquotas começam na próxima segunda-feira, 20, e vão até o fim do ano. 

Salto também destaca que não se sabe se o novo programa vai caber no teto de gastos (regra que atrela o crescimento das despesas à inflação), considerando que ainda há questões em aberto sobre o pagamento dos precatórios e também sobre a inflação deste ano, que reajusta benefícios previdenciários e sociais em 2022.

“A primeira é observar a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), garantindo fonte de recursos para gastos novos. A segunda, como equacionar o teto de gastos no ano que vem. Não há resposta completa para nenhuma delas até agora”, diz.

Para Ilan Goldfajn, a ampliação do Bolsa Família deveria partir de uma revisão estrutural de gastos no Orçamento. "A solução (aumento do IOF) é ruim, é ineficiente, vai dificultar o crescimento, dificultar a agenda do BC, que é de mais eficiência", disse, em entrevista à Globonews. 

Escolhido para chefiar o Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI) a partir de 3 de janeiro, Goldfajn disse que o Brasil tem uma imagem internacional negativa, que afugenta investimentos e contribui para um dólar alto que pressiona a inflação. "A imagem do Brasil tem sofrido nos últimos anos. Correta ou não, é a imagem de um país que não respeita a sustentabilidade fiscal, ambiental, de saúde", avaliou. Nesta sexta-feira, 17, a repercussão da alta do IOF e a tensão nos mercados internacionais provocaram perdas na Bolsa e alta do dólar.

Para a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), a elevação do IOF "dificulta o processo de recuperação da economia". A entidade defende que, para enfrentar os desafios fiscais que têm adiante o governo deveria, em vez de aumentar impostos, é preciso "perseverar na aprovação da aprovação da agenda de reformas estruturais em tramitação no Congresso."

"Aumento de impostos sobre o crédito, mesmo que temporário, agrava o custo dos empréstimos, particularmente em um momento em que o Banco Central precisará subir ainda mais a taxa básica de juros para conter a alta da inflação", disse a Febraban por meio de nota. "O resultado é o desestímulo aos investimentos e mais custos para empresas e famílias que precisam de crédito."

 

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