Lula acertou ao chamar crise de 'marolinha', diz jornal

Ao prever que o "tsunami" da crise mundial provocaria apenas uma "marolinha" no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão "bastante correta", afirmou o jornal francês Le Monde em artigo publicado hoje. O texto, intitulado "A retomada do crescimento mundial repousa sobre os Bric", traça um panorama geral sobre a situação atual do grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China. O Bric, segundo o artigo, é o depositário da esperança "de que a fase de recuperação de seus níveis de vida perante os dos países ocidentais vai se acelerar. E de que seus modelos de crescimento, até o presente essencialmente baseados nas exportações (...), vão progressivamente dar lugar a um novo modo de desenvolvimento, que enfatize a demanda interna".

MARCÍLIO SOUZA, Agencia Estado

17 de setembro de 2009 | 13h25

Na parte sobre o Brasil, o jornal ressalta o fato de a recessão ter durado apenas um semestre - o quarto trimestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano. "Atingido pela recessão mais tarde do que a maior parte dos países do mundo, o Brasil saiu dela mais cedo", afirma o artigo, chamando atenção não apenas para o crescimento de 1,9% do PIB brasileiro no segundo trimestre deste ano ante o primeiro como também para a recuperação do índice Bovespa (Ibovespa) e do real ante o dólar e o euro.

"A rápida recuperação do Brasil aponta para a correção da estratégia adotada pelo governo e centrada na sustentação do mercado interno. As reduções de impostos em favor de automóveis e eletrodomésticos mantiveram as vendas nesses dois importantes setores industriais", afirma o artigo, que destaca também a atuação do Banco Central ao irrigar o mercado e a resistência da confiança dos consumidores.

Sobre a China, o artigo afirma que o país "não dá a impressão de sofrer com a crise mundial. A taxa de crescimento de 8% do PIB, meta do governo para 2009, deverá ser cumprida, declarou recentemente o departamento nacional de estatísticas". O jornal francês destaca que o aporte de 4 trilhões de yuans (US$ 586 bilhões) do governo na economia "amorteceu o impacto (da crise) sobre o emprego e evitou uma explosão do caldeirão social", mas ao mesmo tempo trouxe desequilíbrio, já que parte dos recursos foi dirigida para a especulação.

O Le Monde destaca também o "ritmo sustentado" do crescimento da Índia, principalmente nos setores industrial e de serviços. "A Índia deve sua boa performance à robustez de sua demanda interna e à resistência de seu sistema financeiro", pouco conectado ao restante do mundo. "Em um país onde apenas 15% da economia depende das exportações, a demanda interna foi pouco afetada pela recessão mundial, sobretudo nas zonas rurais, que respondem pela metade da renda nacional", afirma o artigo, acrescentando que "o país continua sendo de todo modo um destino atraente para os investidores do mundo inteiro".

A Rússia, ao contrário, "foi bem mais atingida pela crise" do que o restante do Bric. O PIB russo despencou 10,9% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, após contrair-se 9,8% no primeiro. "Essa aterrissagem brutal se explica pelo modelo de crescimento russo, centrado nas exportações de matérias-primas e na dependência significativa em relação ao crédito estrangeiro", diz o artigo.

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