Lula admite erros na reestruturação de Chesf

CORRESPONDENTE

Angela Lacerda, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

RECIFE

No mesmo dia em que a Chesf ? rebatizada de Eletrobrás Chesf ? venceu o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, o presidente Lula admitiu ter havido erros na elaboração da portaria de regulamentação da reestruturação da empresa. Ele admitiu a falha em entrevista ao Diario de Pernambuco, publicada ontem.

A mudança promovida no estatuto da Chesf pela Eletrobrás, da qual é subsidiária, foi entendida como esvaziamento e perda de autonomia da empresa e provocou protestos por parte de um movimento pró-Chesf integrado pelo Instituto Ilumina, funcionários da estatal e políticos.

O presidente disse ter pedido ao ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, para dar uma olhada "porque essa coisa é assim: você pega um funcionário não sei de que escalão para fazer uma portaria, sabe, talvez ele tenha colocado coisas exageradamente lá que não precisava ter".

"Eu quero uma empresa com capacidade de construir parcerias internacionais, de pegar empréstimo internacional, e não uma empresa falida, apenas uma cartorial", afirmou.

Autonomia. Como holding ? explicou ? essa empresa tem que coordenar suas afiliadas, Chesf, Furnas, Eletronorte e Eletrosul. "O que não pode é tirar autonomia das empresas", afirmou ao comparar o modelo desejado na Eletrobrás ao da Petrobrás. "A BR tem autonomia, mas tem os interesses maiores da Petrobrás que são discutidos estrategicamente dentro do conselho da Petrobrás."

Agora nessa licitação de Belo Monte ? acrescentou ? "eu disse aos empresários: "Se vocês não quiserem participar, nós vamos fazer sozinhos. Nós vamos provar que não vamos ficar reféns de nenhum empresário. Queremos construir parcerias juntas, mas não ficaremos reféns"."

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