Lula afirma que Brasil não é mais um 'coitadinho'

"País já sabe andar com as próprias pernas, já sabe enxergar com os próprios olhos" afirmou

Clarissa Oliveira, enviada especial do Estado de S. Paulo,

06 de maio de 2008 | 16h29

Em uma dura reação à interferência de países estrangeiros no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 6, em Manaus que quer se ver livre de "palpiteiros". Ao participar da inauguração de obras de saneamento na cidade, Lula declarou que o Brasil já não é mais um "coitadinho" que precisa de ajuda para deixar de ser um país emergente. "O Brasil já não é mais um coitadinho, já sabe andar com as próprias pernas, já sabe enxergar com os próprios olhos" afirmou. O presidente citou como exemplo dessa intromissão os sucessivos pedidos de autoridades estrangeiras pela preservação da Amazônia. "Se eles cuidassem da floresta deles como querem que cuidemos da nossa eles não seriam países carecas, sem uma árvore plantada," ressaltou. Além disso, Lula se queixou, mais uma vez, da tese de que o avanço dos biocombustíveis poderá prejudicar a produção de alimentos. "É sacanagem pura, malandragem pura de quem não tem competência para competir com o Brasil", disse, em referência ao etanol produzido a partir do milho, pelos Estados Unidos. am Lula buscou afastar as preocupações quanto a uma enxurrada de dólares no Brasil, com a conquista do grau de investimento. Ele disse que passou a vida ouvindo que era necessário estimular a entrada da moeda norte-americana no País e que não faz sentido agora temer essa possibilidade.  "Eu passei a vida inteira ouvindo os economistas dizerem que era preciso entrar dólar no País. A vida inteira", disse o presidente, ao inaugurar obras de saneamento e habitação na região. "Agora que tem jeito de entrar vamos ficar com medo? Não." Segundo Lula, é preciso diferenciar o dólar que entra no País para especulação daquele que podem significar investimento e geração de emprego. "Esse da especulação financeira nós temos que banir. Agora, esse que vem investir numa fábrica, temos que dizer: pode vir dólar, pode vir euro, pode vir o que quiser. O povo brasileiro não tem preconceito contra dinheiro. O povo brasileiro tem preconceito contra a miséria."  Ao explicar à platéia o que é o grau de investimento, Lula fez uma comparação com dois trabalhadores, um deles bom pagador e sempre com as contas em dia e outro endividado e pouco confiável. E brincou ao dizer que ele próprio não sabia do que se tratava quando recebeu a notícia de que o Brasil havia sido incluído na lista de países considerados um bom destino para investimentos estrangeiros.  "Eu fiquei perguntando, que diabo é investment grade. Aí fui perguntar para um assessor e ele me disse: presidente, isso é grau de investimento. E eu disse, que diabo é grau de investimento", brincou Lula, arrancando risos da platéia.  Ao dizer que não sabe se essa decisão "vai entrar para a história ou não no Brasil", Lula emendou: "O Brasil virou investment grade porque toma conta do seu nariz, decide sua política econômica,

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