Lula afirma que não mudará política econômica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um claro recado para sua base aliada: o governo não irá afrouxar sua política econômica apenas com base nos bons resultados obtidos até agora em 2004. Em discurso feito na solenidade de posse da nova diretoria da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Lula reconheceu que "é preciso tomar cuidado" para não deixar que euforia dos bons resultados de 2004 provoque a vontade dos aliados de "torrar o pouquinho de reserva"."Como na casa da gente, se não houver unidade de comportamento entre marido, mulher e filho, quando a gente tem um pouquinho mais de dinheiro, as pessoas querem torrar de uma vez. No Estado é a mesma coisa. Quando as pessoas percebem que há um pouquinho de reserva a mais, elas querem estourar. E temos que cuidar do dinheiro do Estado exatamente como a gente cuida do dinheiro ganho com o nosso suor para sustentar nossa família. Nem mais, nem menos", afirmou. "Precisamos tomar cuidado."Para o presidente, o Brasil mantém-se há anos como um País "emergente" ou em "desenvolvimento" por falta de uma postura firme de governos. "Em momentos cruciais, que o governo deveria tomar decisões, muitas vezes duras, o governo vacilou ou porque tinha uma eleição próxima, ou porque, possivelmente, não interessava, do ponto de vista político, aos seus partidários", disse.Mantendo a linha crítica, Lula cobrou uma postura mais séria com relação ao futuro do País. "Não temos que pensar apenas no nosso próprio umbigo, mas no que queremos garantir para outras gerações que virão depois de nós", afirmou.PPPsLula também criticou o atraso na votação do projeto de Lei que regulamenta a criação das Parceiras Público-Privadas (PPPs). "Não votamos ainda o projeto porque, lamentavelmente, ainda tem no Brasil gente que trabalha contra o Brasil", disse o presidente, durante discurso na solenidade de posse da nova diretoria da Confederação Nacional do Comércio (CNC).O governo esperava votar o relatório do senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) ainda esta semana mas as lideranças do PFL e do PSDB já anunciaram que pedirão vistas do documento, atrasando assim a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Na avaliação do presidente, posições como essa da oposição são um dos fatores que impedem o crescimento forte da economia. "Este País sabe crescer, está crescendo e pode crescer com mais vigor ainda. Trata-se de avançar num consenso estratégico que dê maior suporte às mudanças", argumentou Lula. O governo aposta nas PPPs como uma das saídas para incrementar os investimentos no País, principalmente na área de infra-estrutura. "Esse projeto já deveria estar aprovado", defendeu Lula.Para o presidente, a aprovação das PPPs dará condições do País "dar uma chance a si mesmo". "Para que o Brasil deixe de fazer aventuras desastrosas, invenções acadêmicas e consiga construir alguma coisa a partir da nossa própria realidade".

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