Lula anuncia criação de escritório do BNDES no Uruguai

Local será utilizado como apoio para operações do Banco na América Latina, segundo Luciano Coutinho

Marina Guimarães, da Agência Estado,

18 de dezembro de 2007 | 16h04

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Tabaré Vazquez inauguraram nesta terça-feira, 18, o escritório de representação do Banco do Brasil em Montevidéu e anunciaram a criação do primeiro escritório de representação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na capital uruguaia.  O local será utilizado como apoio para operações do BNDES na América Latina, região que demanda mais de US$ 10 bilhões de recursos em financiamentos de projetos, segundo informou o presidente do banco Luciano Coutinho, em entrevista a jornalistas brasileiros.  Será a primeira representação internacional do BNDES desde o encerramento das atividades de seu posto em Washington, que ficou em atividade por mais de 30 anos, a partir da década de 50. "A idéia é estar mais presente no Mercosul, apoiar o fortalecimento das cadeias produtivas para ajudar a reduzir as assimetrias", disse Coutinho."A taxa de crescimento das importações brasileiras tem sido de 30% até esse momento e isso tem ajudado a aumentar o comércio", destacou Coutinho, acrescentando que a intenção é aprofundar esse comércio através do apoio de projetos de infra-estrutura e fortalecimento das economias do Mercosul.  Coutinho disse que haverá parceria com a Corporação Andina de Fomento (CAF), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, futuramente, o Banco do Sul para apoiar projetos. Neste sentido, foi firmado um convênio, pelo qual "o Brasil aumentou a participação na CAF com um aporte de US$ 467 milhões, e, em janeiro, o BNDES poderá solicitar um empréstimo de US$ 500 milhões, para apoiar projetos de interesses e desenvolvimentos da região", segundo informou durante discurso. Coutinho destacou ainda que recebeu ordens do presidente Lula para "focalizar os problemas dos países menores para buscarmos a redução das assimetrias e ajudar as empresas irmãs a se desenvolverem". Ele lembrou que, pelas regras atuais, o BNDES só pode apoiar empresas de capitais brasileiros, mas não descartou que através de bancos locais e da CAF e outros organismos, o BNDES possa apoiar empresas de outros países. BB O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Mercosul está em um momento de integração financeira. "Juntamente com o BNDES, a abertura desse escritório do Banco do Brasil significa uma maior integração entre os nossos países. Depois de termos passado de uma fase de integração comercial que está, sendo aperfeiçoada, agora queremos uma fase de integração de cadeia produtiva maior, e nesse sentido, nós temos que aperfeiçoar os instrumentos financeiros, multiplicar as possibilidades de investimentos", disse.  Segundo Mantega, "o Banco do Sul será um grande empreendimento nesse sentido e nós vamos dar agilidade a sua criação. Ele vai ter uma grande capacidade de financiamento e vai se somar a CAF (Corporação Andina de Fomento) e aos demais instrumentos financeiros existentes. E o Banco do Brasil vai voltar a funcionar aqui (Uruguai) e ele é um grande financiador de exportador e importador. Coutinho disse que a escolha de Montevidéu se deve ao fato de ser a sede da Secretaria do Mercosul e pelo fato de o BNDES poder se aproximar mais da realidade do Uruguai. Dos US$ 10 bilhões de demanda da região, Coutinho afirmou que US$ 4,5 bilhões são demandados pela Argentina e o restante é distribuído pelas demais economias da região.  O BNDES deverá fechar o ano com o desembolso de R$ 65 bilhões, mas no total foram aprovados R$ 90 bilhões reais em projetos. "Eu espero que em 2008 nós tenhamos um incremento ainda maior", disse Coutinho, lembrando que o banco vai precisar de um adicional da ordem de R$ 39 bilhões.

Tudo o que sabemos sobre:
BNDESUruguaiLula

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.