Lula apresentará medidas para indústria no Rio, diz Furlan

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentará à tarde, durante participação no "23º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex)", no Rio de Janeiro, algumas das principais medidas de política industrial e de comércio exterior do governo. Furlan lembrou ter ele próprio mencionado, dias atrás, que a proposta de política industrial seguirá em discussão, nos fóruns de desenvolvimento de competitividade, até 31 de março do próximo ano e que aguarda propostas da iniciativa privada para avanços dessa política."Espero propostas que sejam coerentes e viáveis. Também já fui empresário e sei que quando a gente perde uma coisa que é ideal e que é impossível, não há condições de o governo atender", afirmou. "Os fóruns de competitividade das cadeias produtivas permitem exatamente o diálogo do setor privado e de trabalhadores com órgãos de diversas alçadas de governo para construir propostas de viabilidade. E essas propostas podem se tornar realidade, com sentido prático, quase que de forma imediata. O que é ideal fica para o futuro, para o mais adiante e, com o pé no chão, construiremos soluções que têm efeito de criação de empregos, expansão da economia e inflação baixa", complementou.Indústria pode ampliar produção para atender aumento de demandaA maior parte da indústria brasileira opera hoje com capacidade ociosa e pode fazer programações de produção para atender à expansão de demanda prevista para o próximo ano, além de atender a alta das exportações, analisou Furlan. "Não vejo risco de inflação por aumento de demanda", afirmou, ao repetir ainda a estimativa de que as exportações do próximo ano atingirão US$ 80 bilhões. O ministro comentou também que a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio, no próximo mês, deverá colocar em curso um programa de aumento de exportações do País para o mundo árabe. "Temos, juntamente com a Câmara Árabe de Comércio, um programa de triplicar as exportações de US$ 2,8 bilhões para US$ 8 bilhões nos próximos quatro ou cinco anos", informou. Segundo Furlan, a intenção do governo durante a visita é de exercer um papel de apresentação dos produtos brasileiros, com foco na qualidade e design. "Esse mercado foi conquistado por algumas poucas empresas e que está ainda virgem, para ser conquistado pelo Brasil. Com o petróleo em 2003 no nível em que esteve, os países produtores de petróleo daquela região tiveram um incremento de renda em muitos casos, como na Arábia Saudita, de 4% do PIB. Então, há uma possibilidade fantástica e a imagem do Brasil frente ao mundo árabe é extremamente favorável porque nós abrigamos uma comunidade árabe integrada no Brasil, laboriosa e ao mesmo tempo muito ativa", argumentou.Intenções de investimento em 2004 cresceram 60%Um recente estudo produzido por técnicos do Ministério do Desenvolimento, Indústria e Comércio Exterior, identificou que 90% dos setores que englobam a economia brasileira têm intenção de investir, em 2004, 60% a mais do que indicou a mesma pesquisa no ano passado sobre perspectivas de investimento em 2003, contou Furlan. "Isso certamente dá condição de sustentabilidade de crescimento de demanda e oportunidade de aumento de oferta de emprego no próximo ano", disse o ministro. Sobre a garantia de sustentabilidade do crescimento econômico, principalmente para o período pós-2005, Furlan foi evasivo na sua resposta. "Estamos reclamando do passado que o Brasil não cresceu e temos conforto para o futuro, já que no próximo ano o País vai crescer perto de 4%. Nossa preocupação é para os anos de 2005, 2006 e 2007 em que o PPA prevê de 3,5% a 5% de crescimento econômico sustentado", disse.

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