Lula ataca críticos do BNDES e excesso de fiscalização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou hoje os críticos à política de fomento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras e programas públicos e privados no País. "Os que hoje criticam a capitalização pelo BNDES não sabem que (sem o banco) certamente não teria sido criado o Proálcool, em 1975. Se dependesse deles (críticos), não teríamos criado o biodiesel, não teríamos a usina de Belo Monte, não teríamos salvaguardas para garantir a exportação do pré-sal", afirmou Lula na abertura da Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira (Fenasucro), em Sertãozinho (interior de SP).

GUSTAVO PORTO, Agencia Estado

31 de agosto de 2010 | 15h42

O presidente também voltou a criticar as restrições colocadas pelos órgãos de fiscalização para a liberação de obras de infraestrutura no País, bem como empecilhos que causam paralisações durante a execução dos projetos. "Criamos muitas instituições de fiscalização e hoje uma obra para porque se descobriu uma borboleta ameaçada de extinção, uma pedra que parece machadinha, uma perereca, um osso", disse. "As obras ficam paralisadas e ninguém assume responsabilidade pelo prejuízo", completou Lula.

Além de citar a hidrelétrica de Belo Monte como exemplo de financiamento do BNDES, Lula citou a usina para atacar a "covardia de políticos que tinham medo dos que gritavam", numa referência ao atraso de 30 anos na obra, e aos protestos de índios e agricultores que terão terras invadidas pela água do reservatório da hidrelétrica. "Precisamos mostrar aos irmãos índios que não precisam pescar de flecha, podem criar em tanques", disse. De acordo com o presidente, o Estado brasileiro teve de assumir a responsabilidade social e investir para garantir a obra na usina.

As críticas de Lula se estenderam ainda aos peritos do INSS, em greve pela redução da jornada de trabalho. Afirmando estar chateado com a paralisação, Lula afirmou que os peritos "ganhavam R$ 2 mil e agora ganham R$ 14 mil" e que "daqui a pouco vão querer ganhar sem trabalhar". Ainda de acordo com Lula "agora virou mania: todo mundo quer trabalhar 30 horas, enquanto o presidente trabalha 18 por dia", completou.

Na opinião de Lula, o Brasil vive momento "quase que como mágico de sua história" o mais prolongado período de democracia contínua, com o processo de consolidação das instituições. "Damos exemplo extraordinário da consolidação das instituições; não acredito que tenha no mundo imprensa mais livre que a nossa, como citou recentemente o The New York Times num artigo, o parlamento age e funciona abertamente", exemplificou.

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