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Lula avalia inevitável EUA importarem etanol de cana-de-açúcar

"Nós não queremos ficar brigando com ninguém nem convencer o (George W.) Bush disso", disse

Denise Chrispim Marin, do Estadão,

10 de agosto de 2007 | 19h47

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 9, que será inevitável aos Estados Unidos o abandono da produção do etanol a partir do milho e a importação do produto derivado da cana-de-açúcar. "Obviamente, vai haver um momento em que os próprios Estados Unidos vão chegar à conclusão de que não é possível continuar produzindo etanol de milho", afirmou Lula, referindo-se ao impacto nos preços do grão, que está na base da alimentação centro-americana e do México, onde a tortilla faz parte da merenda escolar. "Nós não queremos ficar brigando com ninguém nem convencer o (George W.) Bush disso. Nós queremos que os fatos convençam o Bush e outros países que a gente pode produzir etanol de cana pela metade do preço de que ele produz de milho. Então, ele nos venda o milho para engordar nossas galinhas e nós vendemos o álcool para engordar os carros dele. Essa é a boa troca que queremos fazer", completou o presidente, referindo-se ao presidente dos Estados Unidos. A lógica da substituição da produção do etanol de milho pela importação de álcool de cana foi um dos pontos omitidos do memorando firmado em março pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, durante a visita de Bush a São Paulo. Na negociação, os EUA não aceitaram nem mesmo abrir seu mercado ao produto brasileiro. Qualificado como a base de uma nova parceria estratégica Brasil-Estados Unidos, o acordo girou em torno de uma estratégica comum de transformação do etanol em commodity energética, na cooperação em terceiros países e no desenvolvimento das pesquisas sobre o álcool de celulose. O governo Lula, entretanto, não se limitou à parceria com os Estados Unidos e pôs em prática, com a viagem desta semana ao México, Jamaica e América Central, uma tática de promover os biocombustíveis na vizinhança latino-americana. Companheiros Na última quarta-feira, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega alertara Lula para o fato de que a produção de álcool a partir do milho "é absurda" e atenta contra a segurança alimentar. Mas, aceitou a cooperação brasileira para o desenvolvimento da produção canavieira e de álcool, depois de meses de relutância. "Eu fiz questão de dizer para a imprensa, na frente do Ortega, que a política do biocombustível não é uma questão ideológica. É uma questão de saber se precisa ou não precisa, tem potencial ou não tem potencial", explicou Lula. Discursos mais combativos aos biocombustíveis ainda são repetidos com insistência por Chávez, e pelos presidentes de Cuba, Fidel Castro, e da Bolívia, Evo Morales. Questionado sobre essa contra-propaganda, Lula preferiu salvaguardar Chávez ao afirmar que a Venezuela expandiu seu compromisso de compra de álcool do Brasil e deixou claro que os dois países se valem, na política externa, do combustível que detém. "Eu não tenho como oferecer petróleo a ninguém porque nós não temos petróleo de sobra. Eu tenho que oferecer álcool", declarou. "O problema é que a Venezuela tem petróleo demais. Então, obviamente, o Chávez pode ter uma política de maior flexibilidade nos seus acordos de petróleo do que o Brasil." Também duvidou que o líder venezuelano tenha afirmado, nesta semana, que lhe dava "vergonha" o atraso nas obras da refinaria Abreu de Lima, uma parceria entre a Petrobrás e a Petróleos de Venezuela (PDVSA) em Pernambuco. "Eu li a matéria, não sei se ele disse ou alguém escreveu por ele. Me desculpe, mas eu estou ficando esperto para saber distinguir quando tem um pouco de má fé e quando não tem", disse, logo depois de anunciar que, em setembro, começarão as obras de terraplenagem. "Temos uma relação muito exitosa com a Venezuela."

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