Lula chega a Viena e não comenta declarações de Morales

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia chegado a Viena, por volta das 13 horas desta quinta-feira, onde ficará nos próximos três dias. Na chegada, não quis comentar a declaração do presidente da Bolívia, Evo Morales, que acusou no mesmo dia a Petrobras e outras empresas petrolíferas estrangeiras de manterem "atividades ilegais" naquele país, inclusive chamando-as de "contrabandistas". O assessor para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, também evitou polemizar a questão. "Não vamos responder assim", disse, explicando que acabara de chegar de viagem e precisava se inteirar das declarações. Por sua vez, e apesar de não fazer referências diretas às declarações de Morales, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, esperar que o acordado na noite da última quarta-feira, de revisar o preço do gás boliviano de forma eqüitativa, continue valendo "para ambos os países". O documento também prevê a criação de um comitê entre ambos os países para tocar as negociações e a negociação de mecanismos de compensação nesse processo. CríticasEm meio ao atribulado relacionamento entre Morales e Lula, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse que isso reflete "a maneira amadora e até irresponsável " assumida pelo presidente desde o início da crise com a Bolívia." "O Brasil precisa de um líder a altura dele e Lula não está a altura do Brasil, está muito menor do que o Brasil. É isso o que está acontecendo", afirmou o tucano, para quem esse tipo de problema precisa ser tratado por "um estadista", "com alguém que defenda os interesses do Estado. "Não se trata de ser carinhoso com o camarada e companheiro de farra. Está na hora de o estadista aparecer", completou. Segundo o líder tucano, "acima de amizades e afinidades ideológicas estão os interesses nacionais e a responsabilidade dos Presidente da República que têm de raciocinar quando falam, quando agem e têm responsabilidade constitucional de defender os interesses nacionais".O senador disse que essas pendências podem ser tratadas por organismos que tratam de litígios internacionais. "O que não podemos é nos rebaixar e, pior, ficar a reboque de pequenos líderes populistas demagogos. O Brasil está há muito tempo a reboque de líderes populistas que estão conduzindo a política da América do Sul de forma completamente irresponsável, com bravatas e declarações sem sentido que não fazem parte da nossa história", disse, acrescentando que o resultado dessa política de " pequenas fofocas e intrigas " é o episódio com o governo boliviano que estaria levando à "desmoralização da Petrobras".

Agencia Estado,

11 de maio de 2006 | 13h59

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