Lula chega ao G8 para defender biocombustíveis e agricultura

Para brasileiro, alta nos preços dos alimentos não é um problema, e sim uma 'oportunidade' para a produção

Associated Press

08 de julho de 2008 | 04h02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Sapporo, no Japão, para as cúpulas do G-8 e G-5, na manhã desta terça-feira, 8. Lula já deixou claro qual será o tema principal de sua agenda, antes mesmo de chegar: a defesa dos biocombustíveis, que são responsabilizados por algumas organizações e governos pelo aumento global dos preços dos alimentos.    A participação de Lula na reunião dos cinco países emergentes será na tarde desta terça. Na quarta-feira, junto com outros membros do grupo - México, China, Índia e África do Sul -, participará do chamado encontro ampliado, com os líderes do G8, que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia.   Veja também Centenas de ativistas marcham em direção à sede do G8 Lula chega ao G8 para defender biocombustíveis e agricultura G8 pede diálogo para diminuir preço do petróleo Merkel destaca progressos do G8 sobre a mudança climática   "O Brasil não aceitará esse argumento inverso de que o biocombustível provoca inflação nos alimentos", disse Lula na partida por meios de comunicação brasileiros. "Vou ao Japão, à reunião do G-8, só por isso".   Os preços dos alimentos sofreram elevação em todo o mundo nos últimos meses, e vários especialistas atribuem o fenômeno a fatores diversos, incluindo o aumento do petróleo, a demanda maior, as condições meteorológicas extremas, a produção intensa de biocombustíveis e a especulação do mercado.   A crise tem provocado protestos em partes da África e da Ásia, além de gerar temores de que se estendam os problemas de desnutrição e a instabilidade econômica. Mas para o Brasil, a situação cria também preocupação de que se reforcem os subsídios agrícolas, principalmente nos países desenvolvidos, uma prática que Lula tem criticado especificamente em fóruns da Organização Mundial do Comércio - OMC.   Lula assinalou que o Brasil não considera o aumento nos preços dos alimentos como um problema, senão uma "oportunidade", de melhorar a produtividade no campo. O presidente brasileiro considera, ainda, que os biocombustíveis, longe de ser uma causa do problema de alimentos, constituem uma das esperanças mais sólidas do planeta para combater o aquecimento global, outro dos temas previstos em sua agenda.   O primeiro encontro de Lula em terras nipônicas será com seu colega mexicano Felipe Calderón, que preside os encontros do G-5. Também vai conversar com os presidentes da China, Hu Jintao, e da Coréia do Sul, Lee Myung Bak, segundo a agenda divulgada pela chancelaria.   Para a tarde desta terça-feira está marcado o encontro do G-5, e na quarta-feira o grupo se unirá aos líderes do G-8, que realizam desde segunda-feira sua cúpula em Toyako, um centro turístico localizado a cerca de 150 quilômetros de Sapporo.

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