Lula: clima político nunca esteve tão favorável ao Mercosul

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta sexta-feira que o clima político na América do Sul nunca esteve tão favorável à integração. Lula, que participa da reunião de Cúpula do Mercosul, disse estar convencido de que o Mercosul trará benefícios para todos os países participantes. Em seu discurso, Lula explicou que as diferenças entre os países não vão afetar as discussões sobre o desenvolvimento do bloco econômico. Ele diz que o importante é respeitar a identidade social de cada país. "Temos em comum o resgate de uma dívida social", afirmou. O presidente lembrou que, na reunião, se avançou em várias discussões, como a entrada da Venezuela e o pedido de ingresso da Bolívia no Mercosul. "Que sejam bem-vindos os irmãos bolivianos e todos os querem ingressar", afirmou Lula. Pluralismo ideológicoLula afirmou também que "o pluralismo político ideológico é totalmente compatível com o nosso processo de integração". Ele disse estar "plenamente convencido de que a convergência do Mercosul com a Comunidade Andina de Nações será em benefício de todos". O presidente reconheceu que há muitos desafios nessa convergência e na criação da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), que pretende reunir todos os países da região. Lula admitiu que existem diferenças nas políticas internas dos países da região e que há diferentes graus de institucionalidade "que podem acarretar superposições transitórias". Ele ressaltou porém que "somos formados na adversidade". De acordo com Lula, as diferenças políticas não impedem a integração. O presidente disse ainda que as razões que deram origem ao Mercosul permanecem e que "nossa união é necessária".Ele lembrou que todos os países da região tem o mesmo objetivo comum: buscar o desenvolvimento, a inclusão social, o emprego e o fortalecimento da democracia. Lula fez questão de frisar que as diferentes opções de políticas internas adotadas por cada nação para enfrentar o desafio do desenvolvimento não interferem nos planos de integração do bloco. "Temos que trabalhar sobre aquilo que nos une", completou. Balanço positivoO presidente fez um balanço positivo de iniciativas recentes do bloco. Ele lembrou que o Fundo para Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) já tem recursos para os primeiro projetos pilotos aprovados: cinco do Paraguai, três do Uruguai e três projetos regionais, incluindo um programa de ação para ter o Mercosul livre de febre aftosa. De acordo com Lula, a integração financeira do bloco se acelerou. Ele lembrou que o BNDES aportou US$ 200 milhões à Comissão Andina de Fomento (CAF) para financiar novos projetos na região. Lembrou também que no mês passado foi instalado o Parlamento do Mercosul, que de acordo com ele tornará o processo de integração mais legítimo e democrático. Lula destacou na agenda externa os avanços das negociações para um acordo de livre comércio com o Conselho de Cooperação do Golfo. Afirmou também que evoluíram positivamente as negociações com a Índia; com o bloco liderado pela África do Sul e com Israel. Ele recordou que o diálogo com a União Européia para um acordo econômico também foi retomado. Segundo Lula, os países devem intensificar os esforços para que o processo de adesão da Venezuela tal como previsto no protocolo para isso fique completo "no menor tempo possível". Ele destacou ainda a criação do mecanismo para comércio em moedas locais, entre Brasil e Argentina. "O novo sistema de pagamento poderá ser estendido aos demais países", disse. Destacou também o avanço em relação aos biocombustíveis, e a realização, pela primeira vez, da Cúpula Social do Mercosul, no mês passado. Matéria alterada às 12h03 para acréscimo de informações

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.