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Lula cobra aceleração de acordo entre BNDES, La Nación e Bice

Convênio vai acelerar ritmo de implementação de projetos com a Argentina, em especial em infraestrutura

Anne Warth e Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

20 de março de 2009 | 17h00

O presidente Luiz Inácio Lula Silva cobrou nesta sexta-feira, 20, a aceleração do acordo de cooperação entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco de la Nación e o Banco de Inversión y Comercio Exterior (Bice), cujo objetivo é aumentar o ritmo de implementação de projetos entre Brasil e Argentina, especialmente relacionados à infraestrutura.

 

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"Precisamos acelerar a vigência do convênio entre o BNDES, o Banco de La Nación e o Banco de Integração e Comercio Exterior (Bice). Esse acordo permitirá que o Brasil ultrapasse os US$ 3,6 bilhões de crédito aberto para empreendimentos na Argentina desde 2003", afirmou, em discurso durante o encerramento do seminário "Oportunidades de Comércio, Negócios e Investimentos entre Argentina e Brasil", ao lado da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. "O Brasil continua a apostar na economia argentina e no espaço econômico integrado que estamos construindo", acrescentou.

 

O acordo, assinado em setembro de 2008, prevê que os bancos oficiais façam rodadas de negócios para identificar projetos estratégicos e economicamente viáveis para acelerar a integração entre os países e o desenvolvimento econômico. "Vamos trabalhar para ver se no dia 23 de abril, quando estivermos na Argentina, a gente possa firmar esse acordo, que por enquanto é só um protocolo, e normalmente em protocolo não se bota dinheiro. Precisamos colocar dinheiro porque é o que vai fazer as coisas funcionarem rápido", declarou.

 

Lula disse esperar que a reunião do dia 23 de abril, entre os ministros da área econômica do Mercosul, resulte na criação do Banco do Sul. "Finalmente, parece que na segunda-feira os nossos ministros da economia vão se reunir e parece que finalmente nós vamos ter o Banco do Sul funcionando aqui na nossa querida América do Sul", afirmou.

 

Ao se referir à reunião do G-20, que acontece no dia 4 de abril, em Londres, Lula ressaltou que Brasil e Argentina atuarão de forma conjunta e terão autoridade para expor seus pontos de vistas sobre as principais medidas que devem ser adotadas pelo grupo para atenuar os efeitos da crise.

 

"Estou convencido de que eu e Cristina e alguns companheiros, ao chegarmos no dia 2 de abril em Londres para o G-20, será a primeira vez acho que na história dos últimos dois séculos que dois países em desenvolvimento vão chegar numa reunião com mais autoridade moral que os países ricos. Nossas economias estão arrumadas, nossos bancos são mais sólidos. A crise aqui chegou menos violenta que nos países desenvolvidos", afirmou.

 

Para o presidente, está cada vez mais claro que o principal desafio que os países em desenvolvimento devem enfrentar é a falta de recursos para financiamento, tanto para empresas como também para consumidores. "Sem crédito, as empresas não investem e a economia não roda", destacou.

 

Segundo Lula, é "inadiável" a reformulação das instâncias de governança financeira. "O G-8 mostrou-se aquém das necessidades atuais. O G-20 é parte da solução. Instituições como FMI e Banco Mundial só terão sua capacidade de ação e credibilidade recuperadas quando houver maior participação dos países em desenvolvimento", afirmou.

 

Na avaliação dele, Brasil e Argentina terão autoridade para discutir os novos rumos da economia mundial porque "não sucumbiram ao canto de sereia do pensamento único conservador". "Fizemos exatamente o contrário do descrito por aquela cartilha. Nós tivemos rigorosa ação regulatória do Estado sobre o sistema financeiro e de seguros. E contamos com bancos públicos sólidos, reduzindo ainda nossa vulnerabilidade externa. E mais importante, nossas políticas de inclusão social e distribuição de renda tiraram milhões de pessoas da pobreza", declarou.

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