Lula cobra discurso coerente de líderes internacionais

'Ou eles se acertam, elaboram um discurso único ou vamos ficar nesse samba do crioulo doido', diz presidente

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

16 Outubro 2008 | 13h49

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou, nesta quinta-feira, 16, das declarações contraditórias de autoridades e instituições financeiras internacionais sobre a crise. "De vez em quando vejo o presidente do banco central americano dizer uma coisa e o banco europeu dizer outra. Ou eles se acertam, elaboram um discurso único e começam a colocar o pé na economia real, ou vamos ficar nesse samba do crioulo doido. Um dia a bolsa dispara para cima ou para baixo", disse, durante entrevista coletiva na capital de Moçambique.   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Lula voltou a criticar ainda os especuladores. "Acho que as pessoas precisam tratar a economia com mais juízo e responsabilidade", disse. "A gente tem que ter tranqüilidade para tirar proveito dessa crise e saber que a economia real não é uma roleta. É um jogo que cada centavo deve ter como resultado uma peça, um prato de comida, um pão, uma roupa e não apenas gente querendo ganhar dinheiro com facilidade", disse.   Apesar das críticas, Lula mostrou-se otimista com relação ao mercado financeiro e disse acreditar que as bolsas de valores em queda em todo o mundo vão encontrar o equilíbrio. O presidente avaliou que a crise ainda não chegou à economia real das ruas no Brasil. "A bolsa cai e sobe. A gente não tem que ficar preocupado se cai num dia e sobe no outro. Ela vai encontrar o equilíbrio dela", afirmou.   "Estou convencido de que o mundo vai se ajustar", acrescentou. Durante a conversa com jornalistas, Lula observou que a crise não causou estragos nos países emergentes como China, Índia, Brasil e África do Sul. "Mais convencido estou de que, até agora, a gente não viu nenhuma coisa mais séria acontecer nos países emergentes", disse.   Lula disse que a Islândia, um dos países que mais sofreram com a crise, apostou errado na sua política econômica. "Quem aposta errado pode ganhar muito ou pode quebrar a cara", afirmou.

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