Lula cobra FMI e diz que não é justo crise afetar emergentes

Presidente admitiu que os efeitos da crise podem atingir o Brasil e propôs união com Índia e África

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

15 de outubro de 2008 | 09h46

Após assinatura de sete acordos entre os três países do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 15, que espera que, agora, "o FMI diga aos Estados Unidos que é preciso ter uma regulamentação do sistema financeiro e que os bancos centrais, reunidos na Basiléia (Suíça), determinem que é proibido que um banco de investimentos não tenha limites para alavancagem". Acrescentou que "se os países ricos fizerem agora o que fizemos ontem, a economia voltará à normalidade".   Veja também:  Ministro acena com ajuda a empresas afetadas pela oscilação do dólar Na Índia, Lula defende união mundial contra crise Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Lula disse ainda que "não é justo" que os países emergentes sejam vítimas de uma crise financeira gerada pelos países ricos. "É inadmissível que venhamos a pagar pela irresponsabilidade de especuladores que transformaram o mundo em um gigantesco cassino ao mesmo tempo em que nos prodigalizavam lições sobre como deveríamos governar nossos países."   Ele admitiu que os efeitos da crise podem atingir o Brasil e os demais países integrantes do Ibas. "A crise pode chegar aos países emergentes? Pode, se houver uma recessão profunda, porque os nossos países são vendedores, e eles, compradores. Por isso, precisamos diversificar nossos parceiros (no comércio exterior) e fortalecer o mercado interno." Lula defendeu a união dos países do Ibas para que possam, juntos, encontrar mecanismos para enfrentar a crise.   Lula disse que é preciso, ainda, que esses países conversem com os amigos da União Européia e dos Estados Unidos para pedir "que eles façam logo o que têm de fazer para que os efeitos da crise não cheguem aos países pobres, que não participaram da ciranda financeira, que não foram ao cassino." O presidente insistiu no apelo para a União Européia e os Estados Unidos regulamentem o seu sistema financeiro. Lembrou que, em setembro de 2007, ele próprio falou pela primeira vez sobre o subprime (empréstimos de alto risco no mercado hipotecário).   Mais críticas a países ricos     "Já estamos em outubro de 2007, e somente nas duas últimas semanas os principais líderes da União Européia e dos Estados Unidos assimilaram que tinham uma crise em seus países", afirmou. "É inadmissível", segundo Lula, que esses países "tenham levado um ano para ver a crise em seus países, porque poderiam ter tomado medidas há cinco meses, seis meses, ou um ano e terem evitado esses problemas.   Lula disse que é preciso que se entenda a sugestão do presidente da França, Nicholas Sarkozy, e do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, para que os países emergentes "participem mais diretamente na coordenação internacional para enfrentar a crise financeira." O presidente encerrou o discurso dizendo que espera que "o Ibas seja uma luz na escuridão de incertezas econômicas do mundo."   Na defesa da união dos países do Ibas e da necessidade de diversificação de mercados, Lula disse que Brasil e Índia, por exemplo, não exploram nem 10% do seu potencial de mercado e "muito menos" a África do Sul. Lula afirmou que Índia, Brasil e África do Sul já fizeram primeira tarefa que os países emergentes têm de cumprir no combate à crise. "Nós já fizemos, e as nossas economias estão estabilizadas, todos temos reservas, superávits, saldos positivos, e todos controlamos o nosso sistema financeiro. Portanto, a primeira parte nós já fizemos, e a segunda parte é não permitir que a crise chegue aos nossos países."   Na avaliação do presidente, é preciso "ousadia" para enfrentar a crise, assim como é preciso maior entrosamento do fluxo comercial dos países emergentes, aumento do mercado interno, além de continuar cuidando da estabilidade econômica dos seus países.

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