Lula compara subsídios pagos a agricultores a 'droga'

'São como uma droga mas cujas maiores vítimas são agricultores das nações mais pobres', diz presidente

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2008 | 14h38

No discurso de abertura da 12ª Unctad (Conferência das nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou os subsídios pagos pelos países desenvolvidos aos agricultores como uma droga que deixa como vítima os países mais pobres. "Os subsídios milionários pagos pelos tesouros dos países ricos são como uma droga que entorpece e vicia seus próprios produtores, mas cujas maiores vítimas são os agricultores das nações mais pobres. " O presidente ressaltou a importância do G20 e afirmou ser uma "tarefa inadiável" o objetivo de alcançar êxito nas negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).   "A própria criação do G20 na OMC reflete o objetivo de transformar a geografia do comércio mundial e de permitir que países em desenvolvimento conduzam o seu próprio destino", discursou o presidente. Segundo ele, a "sólida parceria que une o G20 visa eliminar distorções que afetam o comércio agrícola e reduzem o acesso dos produtos dos países em desenvolvimento aos mercados mundiais."   O presidente lembrou que o G20 é um importante exemplo de aprofundamento das relações Sul-Sul. Para ele, os países desse bloco podem diminuir a dependência do Norte, permitindo uma redução da vulnerabilidade da economia brasileira. "Diversificar as parcerias é hoje mais que um objetivo geopolítico. É um imperativo de sobrevivência", disse o presidente. E completou: "A economia internacional atravessa uma crise provocada por problemas de boa governança financeira nas economias mais ricas do mundo".   No discurso, o presidente afirmou que "não são os países pobres que devem pagar os custos dos ajustes". Ele disse ainda que a globalização não pode transferir prejuízos para as economias em desenvolvimento, pois, para ele, são justamente estas economias que têm contribuído para manter os níveis de crescimento da economia mundial. "É preciso estar alerta contra a tentação de países ricos em acentuar suas práticas protecionistas", disse. "Igualmente prejudiciais são as iniciativas de perpetuar relações de dependência através da criação de entraves a expansão do comércio Sul-Sul", completou.   Lula encerrou seu discurso destacando que, na luta por uma ordem internacional mais justa e equitativa, também é necessário ter o apoio dos organismos financeiros internacionais. Para ele, tais organismos devem dar maior voz aos países em desenvolvimento, facilitando processos de integração regional e estimulando o comércio sul-sul.   Ao defender a melhoria da infra-estrutura dos países em desenvolvimento com objetivo de aumentar o emprego e a produtividade, o presidente citou o PAC. "Trata-se de um ambicioso plano de investimentos em infra-estrutura cuja implementação resultará na geração de milhões de empregos", disse o presidente.

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