Lula confirma que MP 443 permite ajuda ao setor automotivo

Segundo presidente, medida provisória permite que o BB faça parceiras com bancos que trabalhem com o setor

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

23 Outubro 2008 | 16h05

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quinta-feira, 23, que o governo dará algum tipo de ajuda ao setor automotivo. Em entrevista após o almoço, no Itamaraty, com o rei da Jordânia, Abdullah 2º, ele explicou que a Medida Provisória 443 permite, por exemplo, que o Banco do Brasil faça parcerias com bancos de investimento que trabalhem com financiamento de automóveis.   Veja também: Rainha da Jordânia rouba a cena durante visita em Brasília MP 443 permite que bancos se fortaleçam, defende governo Veja o que muda com a Medida Provisória 443 Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    A medida foi tomada, segundo o presidente, porque a indústria automobilística "tem uma cadeia extraordinária e nós não queremos que ela deixe de ser um dos carros chefes da economia brasileira".   Questionado se o Banco do Brasil iria investir no setor automotivo, Lula disse que "a decisão que está contida na MP 443 facilita a aquisição de bancos tanto pelo BB quanto pela Caixa Econômica Federal e, obviamente, que o BB não tem expertise para fazer financiamentos de automóveis e teria que ter parceria com bancos de investimento" que tenham essa expertise.   Diante do questionamento de qual financeira seria usada, o presidente respondeu: "não sabemos. Não sou o Banco do Brasil". Lula prosseguiu esclarecendo que as medidas que tomadas "foram meditadas, pensadas de forma muito articulada".   Ele aproveitou para comentar o fato de lhe questionarem sobre a demora de algumas medidas surtirem efeito. "Sei que tem gente que, às vezes, me pergunta: mas, como o presidente anunciou uma medida ontem e não surtiu efeito? Se eu pudesse fazer uma MP e resolver o problema no dia seguinte, certamente estaria contratado para resolver o problema da crise mundial".   Oposição   O presidente reagiu aos questionamentos da oposição sobre a MP e avisou que ainda "serão feitas tantas quantas medidas forem necessárias" para enfrentar a crise financeira internacional. "Eu não posso ficar preocupado com os gritos da oposição porque tudo o que a oposição quer é que o Brasil entre em uma crise profunda para que ela possa ter razão no discurso dela", disse.   Lula voltou a dizer que a resposta do governo para a crise é não paralisar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e continuar a fazer os investimentos em infra-estrutura necessários ao País.   Segundo ele, a solução para a crise é "mais produção e continuar fazendo com que o dinheiro circule". O presidente negou que vá socializar prejuízos com a medida provisória que permite a aquisição de bancos e empresas em dificuldades. "Não vamos dar dinheiro. Não vamos favorecer quem fez especulação", desabafou o presidente afirmando que não sabe quantas empresas poderiam estar com algum tipo de problema.   O presidente comentou ainda que espera que, assim que as medidas que foram tomadas em vários países do mundo comecem a surtir efeito, haja um rebaixamento da tensão. No caso do Brasil, o presidente salientou que "vamos continuar trabalhando e, se nós tivermos cuidado no tratamento desta crise, quando ela acabar, estaremos mais fortalecidos ainda para dar um salto".   Lula disse que está convencido de que parte da crise "os ricos têm que resolver" e emendou: "fico extremamente irritado quando vejo dizer que o risco Brasil cresceu". Ele explicou que nos países onde a crise começou ninguém fala que o risco deles estaria aumentando. Lula assegurou que o Brasil continua com sua solidez.   O presidente mais uma vez reagiu à possibilidade de bancos e financeiras estarem dificultando o oferecimento de empréstimos. "Isso é um problema. Não há nenhuma razão para os bancos pararem de fazer empréstimo. Nós estamos liberando o compulsório". Sobre as medidas já anunciadas pelo governo, Lula disse que elas estão sendo adotadas porque está convencido de que "a melhor defesa é o ataque".

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