Lula convoca reunião emergencial sobre crise na Bolívia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará nesta terça-feira em Brasília uma reunião de emergência para tratar da decisão da Bolívia de nacionalizar os campos de petróleo e gás do país. As informações são do Itamaraty, que será representado no encontro pelo ministro interino das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães. A crise em La Paz exigiu que o chanceler Celso Amorim abandonasse uma reunião em Genebra com os mais altos representantes de Comércio dos Estados Unidos. Amorim está na Suíça para reuniões sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC), mas, por causa da situação na Bolívia, retornará ao Brasil antecipadamente nesta terça-feira. A agenda inicial de Amorim previa reuniões Genebra com o G-20, grupo de países emergentes, com ministros do Japão e mais uma vez com os americanos. Da casa do embaixador brasileiro em Genebra, Amorim passou pelo menos 30 minutos ao telefone com o embaixador do Brasil em La Paz, Antonino Mena Gonçalves, que explicou ao ministro a situação. O chanceler brasileiro ainda conversou com Samuel Pinheiro Guimarães, que além de ser secretário-geral do Itamaraty, foi enviado na semana passada à Bolívia para tratar exatamente do tema do petróleo e gás. Amorim então ligou para Lula para relatar as informações que obteve de La Paz. Ficou estabelecido que o presidente convocaria uma reunião para as 11 horas desta terça-feira com a presença do Ministro de Minas e Energia, o presidente Petrobrás, e do ministro interino das Relações Exteriores. O chanceler ainda afirmou que qualquer outro comentário sobre a crise seria dado apenas depois da avaliação que o presidente faria na reunião da manhã de terça. Mas no Itamaraty, o mero fato de que o presidente convocará a reunião já é considerado como uma mensagem aos bolivianos de que o Brasil tratará a situação com prioridade. Na sexta-feira, Amorim deu uma entrevista exclusiva ao Estado em que lembrou que as exigências da Bolívia precisavam estar "dentro do razoável" e que La Paz também estaria ganhando com as importações brasileiras e com os investimentos da Petrobrás. No Itamaraty, porém, o sentimento é de que, apesar da crise, um diálogo precisa ser mantido e que a soberania boliviana terá de ser preservada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.