Lula: 'crise de alimentos é curta, não é coisa perigosa'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que a crise na oferta de alimentos, que também atinge o Brasil, "é passageira, não é coisa perigosa". Segundo ele, a produção de alimentos, não apenas no Brasil, mas no mundo todo, não cresceu proporcionalmente à demanda. "Esta é uma crise curta", reiterou, dizendo que isto vale para o arroz, para a soja e o feijão. No caso do trigo, como o Brasil depende de outros países, como a Argentina, Lula disse que o País estuda aumentar a produção deste grão. "Vamos produzir mais trigo e depender menos dos outros países", afirmou durante anúncio de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Campinas, no interior de São Paulo.Ao falar da crise de alimentos, Lula criticou países que vêm condenando o aumento na produção de cana-de-açúcar destinada ao etanol, sobretudo os Estados Unidos. "Este País (Brasil) era considerado de terceiro mundo e não era respeitado lá fora. Mas fizemos a revolução da indústria automotiva mundial com o biocombustível e isso eles não admitem", disse Lula. Ele classificou de "mentiras deslavadas" as afirmações feitas no exterior de que a crise dos alimentos está sendo provocada pela estratégia brasileira de privilegiar a produção de etanol. E atacou diretamente os Estados Unidos: "Eles resolveram fazer álcool de milho que é comida de galinha e porco. Se é reação animal, não pode fazer combustível."O presidente disse que pretende "comprar esta briga" e provar ao mundo que é possível o Brasil produzir alimentos e etanol. Apontando para a própria barriga, Lula disparou: "seríamos ignorantes se não enchêssemos o nosso tanque para encher o tanque do carro. Vamos produzir álcool, biocombustível e alimentos, inclusive para encher a barriga de quem não tem terra para plantar."Na defesa que fez do etanol, Lula lembrou que ninguém critica o petróleo, que subiu muito de preço nos últimos meses. "E por que criticam lá fora o biocombustível, que é uma revolução e não polui?", questionou.InflaçãoFalando a uma platéia composta, em sua maioria, por populares que serão beneficiados pelas obras do PAC na região, Lula disse que era importante o povo saber que a inflação causada pela alta nos preços dos alimentos está ocorrendo porque "tem mais pobres comendo, graças a Deus". Ele destacou que em sua gestão o Brasil deixou de ser subserviente e "coitadinho" para se tornar uma grande potência exportadora de alimentos e bens manufaturados e produtora de alimentos e biocombustível. E na sua avaliação isso vem incomodando os países desenvolvidos."O Brasil está começando a disputar com eles. Se tem um país que cresce todo o ano a produção de grãos, é o Brasil", disse. No discurso, Lula voltou a usar uma metáfora do futebol para dizer que quando um jogador começa a marcar muitos gols, ele passa a ser marcado duramente pelos adversários. "O mundo vai perceber que o gigante adormecido chamado Brasil acordou. Não para ser prepotente, mas para ser respeitado. Não queremos mais ser considerado um país emergente", declarou.Estiveram presente à solenidade de anúncio de obras do PAC, no aeroporto de Viracopos, os ministros as Minas e Energia, Edison Lobão; das Cidades, Márcio Fortes; a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho; o presidente nacional do PMDB, Michel Temer; além de prefeitos da região e parlamentares. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, não participou da cerimônia.

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