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Lula critica ameaças de embargo da UE e ironiza álcool dos EUA

Segundo presidente, países ricos são os responsáveis pelo desmatamento do planeta no último milênio

Gustavo Porto, da Agência Estado,

21 de agosto de 2007 | 15h30

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou nesta terça-feira, 21, as constantes ameaças de embargo à carne bovina, principalmente as feitas pela União Européia, e acusou os países ricos de serem os responsáveis pelo desmatamento do planeta no último milênio.  Lula ainda ironizou o uso do milho nos Estados Unidos para a produção de álcool combustível, enquanto no Brasil a matéria-prima é a cana-de-açúcar. "Quando o americano tiver dependente do álcool da cana, ele vai perceber que o milho é para encher papo de galinha e a cana é para produzir açúcar e álcool", disse o presidente. Durante discurso em Lins, interior paulista, na inauguração da unidade de produção de biodiesel do Grupo Bertin, maior companhia do setor pecuário do País, Lula afirmou que quanto mais o País cresce, mais responsabilidades recaem sobre ele. "Quando a gente vira importante, cuidado, porque eles inventarão de tudo para competir conosco naquilo que nós estamos ganhando. Quando eles resolvem criticar a qualidade da nossa carne, vão entrar com uma questão sanitária para tentar dizer que não vão importar", disse Lula. Antes da cerimônia, Lula disse ter concedido uma entrevista a um jornalista francês e que os temas desmatamento e avanço de culturas agrícolas sobre a Amazônia foram levantados. "Disse que era importante que ele pegasse um mapa do desmatamento dos últimos mil anos e fizesse o acompanhamento da evolução que ele iria perceber que esse País ainda tem 69% da mata original preservada, enquanto os países ricos, que tentam nos dar lição, só têm 0,3% das suas florestas preservadas", afirmou, referindo-se a um levantamento feito no ano passado pelo Ministério da Agricultura que apontou a quase ausência de matas nativas na Europa. O presidente voltou a defender o etanol como combustível renovável, disse que não há país no mundo com a competitividade do Brasil na área de biocombustíveis e ainda defendeu a expansão da produção de combustíveis renováveis para a África, América Latina e Caribe. "Hoje são cerca de dez países que produzem petróleo e poderiam ser 120 de produtores de combustíveis renováveis", afirmou. Lula também defendeu o abastecimento do mercado norte-americano com o etanol brasileiro por meio de unidades de desidratação em Países do Caribe, numa operação utilizada para livrar o combustível de taxação imposta às exportações diretas do Brasil.  "Tenho dito aos empresários que vamos vender o álcool a partir da América Central e do Caribe", concluiu Lula. Ele salientou ainda ser possível e a antecipação da mistura obrigatória de 5% do biodiesel ao diesel de petróleo, prevista para 2013, sem, no entanto, falar em datas. A partir do próximo ano, a mistura será obrigatória em 2%.  O presidente repetiu o que o ministro Reinhold Stephanes, da Agricultura, falara antes e garantiu recursos para a defesa sanitária animal. No entanto, ele alertou que não bastam só o esforço e a disposição do governo "se as pessoas que são donas de gado não tiverem a responsabilidade de vacinar" contra a febre aftosa, doença utilizada como motivos para os recentes embargos à carne bovina brasileira.

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