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Lula critica barreiras protecionistas sobre etanol

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje as barreiras protecionistas que incidem sobre o etanol. Ele disse que após a realização da Conferência Internacional de Biocombustíveis o debate no âmbito internacional será intensificado. "Manter as tarifas sobre o etanol é uma contradição", disse, referindo-se ao fato de que não existem tarifas que incidem sobre a importação de petróleo.Segundo ele, com a realização deste evento, o mundo passou a conhecer melhor o sistema de produção brasileiro, o que vai facilitar o trabalho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Lula disse que durante a conferência teve encontros com representantes do governo da Suécia, do que resultou um convite para que o ônibus movido a etanol produzido no Brasil pela Scania seja apresentado aos suecos. Para isto, será agendada uma viagem dos prefeitos de São Paulo e do Rio de Janeiro para o país europeu.Questionado sobre as recentes descobertas de petróleo no pré-sal brasileiro, Lula disse que estas descobertas não irão atrapalhar o desenvolvimento dos biocombustíveis no Brasil. "É uma receita a mais que nós teremos", afirmou. O presidente ressaltou que não pretende exportar petróleo bruto mas seus derivados e para isso serão feitas quatro refinarias para produção e exportação de gasolina premium.O presidente disse também que o Brasil poderá fazer parcerias com países europeus para que a tecnologia de etanol desenvolvida no país seja levada para terceiros países, principalmente na África. "Se os países africanos tiverem um solo semelhante ao cerrado brasileiro, o potencial para produção de etanol de cana é enorme", disse.Lula afirmou que acompanhou os debates sobre biocombustíveis durante a campanha presidencial norte-americana. Ele observou que tanto Barack Obama como john McCain falaram da necessidade de mudar a matriz energética dos Estados Unidos, mas criticou a opção da indústria norte-americana em produzir etanol a partir do milho. "Não é prudente produzir etanol a partir do milho porque a utilização do grão para combustível eleva o preço do cereal e também o preço dos frangos e suínos", disse.Sobre a questão com o Equador, que entrou com uma ação na Câmara de Arbitragem Internacional para suspender o pagamento de um empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Lula disse que não faria nenhum comentário. "A minha palavra é a palavra do Celso", disse ele referindo-se ao comunicado divulgado hoje pelo ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) sobre o assunto.

FABÍOLA GOMES E CAROLINA RUHMAN, Agencia Estado

21 de novembro de 2008 | 14h49

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