Lula critica indiferença do "povo" e da imprensa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se queixou ontem da indiferença que "o povo" e a imprensa mantêm em relação às mudanças que seu governo implementou no programa de crédito e criticam o aumento da taxa básica de juros, a Selic. O comentário foi relatado por uma das autoridades presentes no almoço servido na Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Lula lamentou que a população não reconhece os benefícios dos empréstimos que são concedidos por meio do microcrédito, com desconto em folha, implementado desde o ano passado. O presidente comentou que, com o microcrédito, "o povo" pode pegar o dinheiro a 2% ou 3% e comprar um eletrodoméstico ou outro produto à vista, depois de negociar um desconto. Se fossem pagar os juros da loja, ressaltou, estariam submetidos a uma taxa de 10% ou 12%. No almoço, de acordo com os presentes, Lula fez questão de destacar ainda o sucesso dos últimos números da economia, com o País crescendo e o fato de estar gerando energia em volumes maiores do que a necessidade.Alencar repete críticas contra jurosAo falar pela primeira vez sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de aumentar para 17,25% a taxa Selic, o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, adotou um tom ameno, mas manteve a sua crítica à política econômica. Depois de afirmar que é eminentemente técnica a posição do Comitê, Alencar sustentou que o Brasil precisa ter coragem "de crescer a altas taxas". "A economia vai avançar", disse. "Eu nunca discuti as decisões do Copom, porque são eminentemente técnicas e obviamente embasadas numa metodologia posta, então eu respeito", ponderou. Ao defender a necessidade de gerar empregos, no entanto, afirmou que a economia precisa acelerar. "O Brasil tem que criar coragem para crescer a altas taxas".

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