Lula culpa burocracia por demora no combate à aftosa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu à burocracia a demora na liberação dos recursos para o combate à febre aftosa em Mato Grosso do Sul. Lula contou, em discurso, que "ficou nervoso" aos ler na imprensa que R$ 3,5 milhões estavam destinados mas não haviam sido liberados para Mato Grosso do Sul, porque faltava um projeto do governo do estado detalhando a aplicação dos recursos. "O dinheiro não está lá ainda porque tem de ter um projeto do governo do Estado (definindo a destinação da verba). Porque, se não tiver este projeto do governo do Estado o Tribunal de Contas da União não vai permitir repassar o dinheiro para o Estado", contou o presidente, em discurso de improviso na abertura do 19º Congresso Brasileiro de Avicultura, no Itamaraty, depois de ouvir o presidente da União Brasileira de Avicultura (UBA), Zoé Silveira d´Ávila, de 84 anos, cobrar do governo recursos para o agronegócio e a contratação de pessoal e chamar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci de "pão-duro". Lula, no improviso, questionou o secretário-executivo do Ministério da Agricultura se não dava para vencer etapas burocráticas para resolver o problema. "Não dá para você e o governador sentarem naquela mesa do lado e fazerem o documento e assinarem os dois?" "A burocracia no Estado brasileiro dá com uma mão e tira com a outra. Uma lei diz que pode, a outra diz que não pode", queixou-se o presidente. Segundo Lula, esses dados exemplificam que "o governo não pode tudo, porque tem muitas limitações". Em seguida, Lula citou problemas freqüentes que ocorrem com licenças ambientais que precisam ser concedidas pelo Ibama. Esses problemas, segundo o presidente, têm tem sido empecilhos para a construção de estradas e hidrelétricas. "Temos a mesma coisa no caso do Ibama, porque uma lei que diz que tem de fiscalizar é a mesma que diz que não tem de ter fiscalização", afirmou o presidente. Acrescentou que, "quando o fiscal é sério e fiscaliza, ele sabe o que acontece: o Ministério Público vem em cima dele e indisponibiliza os bens dele. Aí, ele diz que não vai dar licenciamento para aquilo funcionar". Reconhecendo o papel que exerceu quando estava na oposição e atrapalhava a realização de projetos, o presidente comentou: "Eu fui oposição, e é impressionante. Parece que a gente trabalha para evitar que as coisas sejam fáceis", admitiu. E acrescentou que, no entanto, "quando aparece um vírus que pode atacar a extraordinária criação de frangos que temos, ou o nosso gado, aí não tem oposição, não tem situação, não tem pequeno, não tem grande, não tem governo. Aí, somos todos nós, porque independe de quem esteja no governo ou na oposição, é um problema do Brasil, do qual os nosso filhos e netos serão as vítimas, se a gente não aproveitar a oportunidade, agora, para fazer o que tem de ser feito". O presidente enfatizou: "O Brasil tem de primar pela qualidade e tem de oferecer esta qualidade ao mundo, e tenho certeza de que esta coisa que está acontecendo hoje no Brasil vai fazer com que, ao discutirmos o dinheiro para que a gente cuide de forma correta do nosso rebanho, não seja tratado como se fosse dinheiro do outro ministério que não tem o mesmo problema".

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