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Lula defende Argentina e diz que protecionismo é natural

País vizinho fixou preço mínimo para produtos brasileiros

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

O Brasil e os países emergentes não devem ajudar a reforçar o caixa das instituições multilaterais como FMI e Banco Mundial, como desejam as nações desenvolvidas. O recado foi dado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ontem pela manhã. "Os países emergentes não têm obrigação e não têm por que fazer aporte de recursos para uma crise que os países ricos precisam resolver e eles certamente têm mais possibilidades do que os países emergentes." Este deve ser o posicionamento conjunto do Brasil e da Argentina na reunião do G-20 em Londres, no dia 2 de abril. Na avaliação de Lula, a atual crise internacional é "20 vezes" maior do que crises anteriores, como a Asiática ou da Rússia e, portanto, não há dinheiro no FMI para socorrer as nações desenvolvidas. Já os países emergentes, por serem, na sua avaliação, vítimas da crise, precisam de recursos das instituições multilaterais. "Os países ricos precisam dotar essas instituições com recursos necessários para que possam socorrer os países emergentes que precisam de recursos neste momento." Entretanto, completou Lula, os empréstimos não podem vir com as mesmas exigências feitas no passado. "Tem que se emprestar sem precisar o banco que emprestou determinar o tipo de política que vai ser feito naquele país." Para Lula, esta será "a primeira vez, acho, que na história dos últimos dois séculos, que dois países em desenvolvimento chegarão numa reunião com mais autoridade moral que os países ricos".Questionado durante a coletiva de imprensa realizada após o encontro sobre o crescente protecionismo argentino contra empresas brasileiras, o presidente Lula se mostrou compreensivo com o país vizinho e disse ser "normal", numa crise, os países adotarem medidas protecionistas para defender seus empregos, suas economias. "Isso é normal e não precisamos encarar isso como se fosse uma coisa insolúvel", disse Lula. "Com a Argentina, temos que definir o preço justo para que uma economia não sufoque a outra", completou, referindo-se à decisão da Argentina de estabelecer preços mínimos para uma lista de produtos exportados pelo Brasil.Criatina Kirchner negou que as medidas adotadas pelo seu governo - como a exigência de licenças não automáticas para a importação de determinados produtos - sejam medidas protecionistas. "Pretender que a licença não automática para não aprofundar ainda mais esse déficit comercial monstruoso é uma medida protecionista é um exercício de reducionismo ou defesa de uma só parte dos interesses, o que nunca deve acontecer em um processo de integração", afirmou.Na pauta do encontro bilateral, Lula e Cristina discutiram também formas de aumentar a integração entre os dois países. No meio do encontro, Lula chamou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que estava na Fiesp participando do seminário, e cobrou a assinatura de um convênio entre o BNDES, o Banco de La Nación e o Banco de Integração e Comércio Exterior (Bice) para investimentos em projetos com a participação de empresas dos dois países. "Esse acordo permitirá que o Brasil ultrapasse os US$ 3,6 bilhões de crédito aberto para empreendimentos na Argentina desde 2003", afirmou Lula no encerramento do seminário com a presença de cerca de 500 empresários brasileiros e argentinos. Para Cristina, o convênio entre BNDES e Bice será importante para financiar "empresas argentinas e, também, obviamente, empresas brasileiras que tenham importantes investimentos na República Argentina."

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