Lula defende criação de nação sul-americana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a sugestão do seu colega peruano, Alejandro Toledo, de criar uma nação sul-americana para fazer frente às negociações da Organização Mundial do Comércio e, especialmente, para impedir que a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) sufoque as oportunidades de crescimento dos países da região. Esse foi o tom da exposição do presidente brasileiro na abertura do IV Forum Empresarial Brasil-Peru, que está sendo realizado em Lima. O presidente destacou a conclusão das negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Peru, que será assinado ainda hoje pelos dois governos. "Quanto mais próximos, quanto mais políticas comuns nós tivermos, quanto mais entrosamento entre os nossos empresários, trabalhadores e políticos, mais chances nós teremos de fazer as grandes negociações", afirmou o presidente. "Sobretudo, para tentar quebrar as barreiras protecionistas através das negociações na OMC e não permitir que a Alca se transforme em instrumento sufocador da nossa possibilidade de crescimento. Mas que seja uma oportunidade de termos uma relação comercial, política e cultural mais harmônica, onde ninguém vai querer levar vantagem sobre o outro", completou o presidente. Em seu discurso, Toledo relatou que perdeu noites de sono pensando nas dificuldades que seu país poderia enfrentar com a introdução do livre comércio com o Mercosul. Os números da balança comercial entre o Peru e o Mercosul, segundo o presidente peruano, não o aconselhavam a firmar o acerto comercial. "Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena", disse Toledo, lembrando o poeta português Fernando Pessoa. "Nunca mais estaremos de costas para nós mesmos. Agora temos de somar a Comunidade Andina de Nações e prometo fazer de tudo para nos unirmos porque a capacidade de negociação da nossa região será maior", disse. Integração físicaPara Lula, um dos principais desafios no processo de integração da América do Sul será o de construir as interligações físicas entre os países da região. Assim como fez na semana passada, o presidente alertou para a falta de recursos para que as obras tenham andamento, apesar dos montantes disponíveis no BNDES e na Cooperativa Andina de Fomento, as duas entidades que estão analisando os projetos apresentados. O presidente lembrou que, se depender apenas do aporte de recursos públicos, essas obras dificilmente sairão do papel. "Descobrimos que não há dinheiro para esses projetos e nós temos ainda mais as ações prioritárias nas áreas sociais", acrescentou. Em dezembro, o presidentes dos países da América do Sul deverão se reunir para tratar dos projetos que terão prioridade na agenda de integração física na região. Segundo Lula serão definidos quais os projetos que serão levados adiante a partir de concessões públicas, outros que terão parceria com o setor privado e quais os que serão financiados por empreendedores estrangeiros e por organismos internacionais. O presidente alertou para o fato de que sem cumprir esses desafios a América do Sul continuará atrasada por mais um século. "Corremos o risco de passar mais um século como a região do futuro, com melhores recursos naturais, que eu diria, com melhores povos, e a ainda assim continuarmos pobres", afirmou. "Em vez de esperar que um dia alguém nos adote devemos pensar o que nós queremos para os nossos países".

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