Lula defende entendimento entre Brasil e Argentina

Ele esclareceu que voltou atrás porque prefere conversar em vez de tomar medidas punitivas

TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

17 de fevereiro de 2009 | 14h52

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 17, que não há divergência entre Brasil e Argentina que não possa ser solucionada e que nada melhor do que os dois países se sentarem e encontrarem um denominador comum. Ele se referia às medidas de protecionismo adotadas pelo governo argentino. Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise Em entrevista, após almoço com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, Lula voltou a criticar o protecionismo de países desenvolvidos - insistindo que isso só agrava a crise - e esclareceu que voltou atrás da decisão de criar barreiras à Argentina porque prefere conversar em vez de tomar medidas punitivas. A reunião será realizada ainda hoje, no Palácio do Itamaraty, entre ministros brasileiros e argentinos. Lula disse que na reunião do G-20, no dia 2 de abril, em Londres, ele vai condenar o protecionismo e lembrar que foram os países desenvolvidos que criaram a doutrina do mundo globalizado e do livre comércio. Moeda Lula defendeu que os bancos centrais e os ministérios da Fazenda dos países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) façam todo o comércio entre eles com moedas próprias. "Por que a balança comercial não é feita nas nossas moedas?", questionou o presidente. "Precisamos criar regras para não dependermos do dólar que está cada dia mais escasso e mais problemático", afirmou Lula. "Se nós conseguirmos que na Unasul a troca comercial seja feita em moedas próprias, estaremos livrando os empresários de ter que procurar dólares para financiar as suas exportações", acrescentou. O presidente reafirmou que é hora de aproveitar a crise financeira internacional para construir o que não foi feito antes. "Ela (crise) é uma grande oportunidade para termos ousadia e coragem. Quanto mais ouço falar de crise mais decido fazer investimentos no País", disse. A título de exemplo citou investimentos para a construção de 1 milhão de casas populares - os detalhes do plano ainda não têm data oficial de anúncio. "No Brasil, não cresceremos o tanto que crescemos em 2008. Vai ter desaceleração. Mas não é uma recessão econômica", afirmou. "Estamos mantendo os investimentos públicos, pedindo aos ministros de infraestrutura que conversem para que todas as obras sejam feitas em dois ou três turnos para suprir a demanda de emprego e demos mais R$ 100 bilhões para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar empresas no Brasil", exemplificou. Lula disse também que soube que empresários brasileiros que tinham investimentos na Colômbia estavam suspendendo os negócios, e se prontificou a procurar essas empresas para saber os motivos e ajudar para que os projetos sejam retomados."O PIB dos países europeus caiu, sei que eles não vão retomar rapidamente, mas é preciso que essa desaceleração pare. Rezo para o Obama (presidente dos Estados Unidos, Barack Obama) todos os dias o que não rezei para mim. Se os Estados Unidos se recuperarem logo, logo, será melhor para todo mundo. Senão, será pior para todo o mundo", afirmou.

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