Lula defende importação de produtos de países pobres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o Brasil deve priorizar a importação de produtos de países pobres, mesmo pagando preços mais elevados que os cobrados pelos países desenvolvidos. Em um debate com representantes de organizações não-governamentais na IX Assembléia da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), em São Paulo, ele defendeu uma "política de solidariedade e reciprocidade" como alternativa econômica diante do "fechado" mercado mundial e das barreiras impostas pela União Européia, Estados Unidos e Japão.Diante de ativistas sociais e sindicalistas de mais de 60 países participantes do Fórum da Sociedade Civil da Unctad, Lula citou como exemplo de ajuda comercial a compra de arroz do Uruguai e futuros negócios com Paraguai e Bolívia. Ele reclamou das dificuldades em fechar acordos internacionais e das "boas brigas" no seu próprio governo nas discussões de exportação. O presidente salientou que, naturalmente, todo país só quer vender, nenhum quer comprar. "Todos só querem ter saldo comercial positivo, ninguém quer ter déficit comercial, mas o Brasil precisa vender e comprar", disse. Lula ressaltou que é cada vez melhor a relação do Brasil com países latino-americanos. Combate à fomeO presidente cobrou maior participação de universidades, Ongs e sindicatos no combate à pobreza. Ele disse que sindicalista não pode aparecer "só de vez em quando" no gabinete de autoridades para trazer um documento, "tem de participar". Lula pediu aos representantes das Ongs que pressionassem os governos de seus países para facilitar acordos com países pobres.Lula avaliou que o seu projeto de combate à fome não está completo, mas observou que o governo já está atendendo 4,5 milhões de famílias em situação de pobreza. A meta é chegar a seis milhões em dezembro e a 11 milhões até o final do governo.

Agencia Estado,

15 de junho de 2004 | 16h43

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