Lula defende integração do Mercosul para combater a crise

Segundo presidente, os países vão cobrar na reunião do G20 posição de regulação do mercado financeiro

Kelly Lima, da Agência Estado

15 de janeiro de 2009 | 13h51

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira, 15, em cerimônia na Bolívia, maior integração, não somente dos dois países, mas também de todo o Mercosul para encontrar soluções para enfrentar a crise financeira mundial. "Esta crise não começou no Brasil, na Bolívia, na Argentina, nem na África, nem Índia. Começou no coração do capitalismo mundial, que é os Estados Unidos, a União Européia e o Japão. Mas a solução pode sair dos nossos países", disse presidente na inauguração de trecho rodoviário na Bolívia, que recebeu investimentos do BNDES.  Veja Também: De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  Segundo Lula, os países do Mercosul vão cobrar na reunião do G20, em Londres, uma posição mais contundente de regulação do mercado financeiro. Ovacionado tanto quanto o presidente boliviano, Evo Morales - inclusive com gritos de "lindo" - Lula fez discurso por mais de meia hora embaixo de sol forte para cerca de 500 pessoas, a maioria partidária de Evo. Por estar na fronteira, Lula ganhou ainda mais a simpatia do público ao pedir para traduzirem sua fala "a gente humilde" que lá se encontrava. O presidente declarou seu apoio a Morales. "Quando comentam a vitória de um metalúrgico chegando à presidência, costumo dizer que o melhor é ver num índio fazer o mesmo, como ocorreu aqui", disse Lula. Ele apoiou o referendo boliviano marcado para 25 de maio como sendo uma demonstração democrática de Morales e comparou o líder boliviano a Nelson Mandela, fazendo um paralelo entre o Apartheid e o boliviano. "Tenho convicção de que o referendo sobre a nova constituição será passo decisivo para a refundação democrática que está em curso na Bolívia. Ao antecipar esta decisão e se comprometer a apenas uma reeleição, o Evo está dando um exemplo a muita gente que já passou por aqui antes dele". Pouco antes de Lula discursar, o prefeito local, Aldo Clavijo havia sido fortemente vaiado pelo povo por ser oposicionista. No local da cerimônia - cercada por cerca de 800 policiais (entre Exército e militares locais) - quase não havia evidências da oposição a Morales. Um outdoor de apoio, no entanto, estrategicamente posicionado atrás da banda militar, apoiava o referendo.  Crise do gás Lula garantiu ao povo boliviano que "não faltarão investimentos e nem demanda" para o gás importado daquele país. O tema era um dos mais esperados para o encontro de hoje entre os presidentes dos dois países e ameaçava minar o clima cordial previsto para o lançamento de obras em rodovia local, com apoio do BNDES. No discurso feito a cerca de 500 pessoas, ao lado de Evo Morales, Lula afirmou: "O presidente Evo tem sido fiel à sua palavra de que nunca faltará gás para o Brasil. Por isso, digo e repito que não faltarão investimentos e consumidores brasileiros para essa riqueza do povo boliviano. A Petrobras está em dia com seus compromissos de investimentos", disse. O presidente fez menção também ao episódio ocorrido na semana passada, quando o Brasil anunciou que cortaria 30% do consumo devido à queda interna da demanda e depois reviu a redução para 20%, alegando que havia necessidade de atender a térmicas no sul do país, já que o abastecimento da região havia ficado comprometido com as chuvas. Muitos analistas atribuíram a redução do porcentual a um gesto político, o que foi desmentido pelo governo, mas na prática admitido por Lula hoje. "Nossos governos (Brasil e Bolívia) acabam de concluir um acordo que está na essência de nossa parceria estratégica. Com transparência e diálogo asseguramos o suprimento adequado de energia para o parque industrial brasileiro e os recursos necessários para o desenvolvimento da Bolívia", disse Lula. Ele ainda comentou a possibilidade de composição de novos acordos para futuros investimentos: "Precisamos implementar os demais acordos acertados anteriormente em La Paz e compor outros. (Precisamos) avançar na exploração conjunta de novos poços e no treinamento de funcionários da YPFB", disse Lula. Acompanham o presidente os ministros Edison Lobão, Tarso Genro e Miguel Jorge. Representa a Petrobras o diretor Internacional da estatal, Jorge Zelada.

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