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Lula defende Mercosul em evento de movimentos sociais

Presidente falou em ‘identidade regional mercosulina’ e ainda criticou os Estados Unidos 

Tânia Monteiro, enviada especial,

17 de dezembro de 2010 | 10h09

A menos de 15 dias para deixar o governo, em um discurso para uma plateia de representantes dos movimentos sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, ontem à noite, em Foz do Iguaçu (PR) uma veemente defesa do Mercosul, recheado de críticas aos Estados Unidos. Depois de dizer que foi criada agora uma "identidade regional mercosulina" e assegurar que a presidente eleita Dilma Rousseff vai continuar com o projeto de forma "igual ou melhor", Lula disse que "ainda há muito a fazer". Mas pediu que todos "não percam de vista o que já conquistamos e não foi pouca coisa". Em seguida, emendou afirmando que tem certeza de que "ninguém sente saudades do comércio lá de trás" e que, há dez anos, os presidentes da região só disputavam quem ia passar o fim de semana em Camp David (casa de campo dos presidentes norte-americanos), salientando que o ambiente hoje na região é o melhor possível. "Hoje temos uma relação invejável", comemorou.

Lula, que foi muito aplaudido pelos participantes da Cúpula Social do Mercosul, lembrou que "foram muitos os que tiveram coragem de levantar a voz contra ALCA", que gritavam que a gente não podia se subordinar a uma acordo de livre comércio com os EUA, que perguntávamos se não queriam fazer com a América do Sul o que a União Europeia fez com os países mais pobres como Grécia, Espanha, e Portugal. Para Lula era preciso criar e fortalecer comércio e hoje "conseguimos fazer do Mercosul centro de desenvolvimento extraordinário".

Em novas críticas aos países desenvolvidos e para comemorar a boa relação entre os países da região, Lula disse que "aqui não falamos em bomba nuclear, não falamos em guerra, quando muito, temos uma greve de vez em quando, mas greve faz parte da democracia". Por isso, insistiu Lula, "não temos o direito de perder o que conquistamos". Lula reconhece que "ainda não conquistamos tudo, sei que tem muitas criticas, mas é preciso saber onde estávamos e onde chegamos". "Não temos o direito de voltar, temos de seguir em frente, construindo este extraordinário Mercosul".

Comemorou ainda a democracia que reina no Mercosul, comparando a outros blocos e citando que, no G-20 os sindicalistas não participam das reuniões com os chefes de Estado.

O presidente encerrou o discurso defendendo a independência dos movimentos sociais. "Esse comportamento de cooperação, sem perder a autonomia, sem perder a soberania dos movimentos sociais que não pode ser correia de transmissão nem do governo nem dos partido, mas dos interesses da sociedade civil que vocês tão bem representam", declarou. "Se não fosse o grito de vocês, as passeatas, bandeiras, quem sabe os dirigentes iam esquecer que vocês existiam", completou o presidente.

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