Lula defende papel do Banco do Sul no desenvolvimento da AL

'Não podemos ficar dependendo do Banco Mundial ou do FMI', diz o presidente, seguindo linha de Chávez

Milton F. da Rocha Filho, da Agência Estado,

10 de dezembro de 2007 | 09h28

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta segunda-feira, 10, durante o programa Café com o Presidente, a criação do Banco do Sul. Ele afirmou que a instituição tem como objetivo ajudar no desenvolvimento da América do Sul. "Nós não podemos ficar dependendo do Banco Mundial ou do FMI (Fundo Monetário Internacional)", disse, seguindo a linha dos comentários do venezuelano Hugo Chávez e o equatoriano Rafael Correa.  "É importante que a gente tenha um banco sul-americano e que a gente possa, junto com outras instituições financeiras, ter os recursos necessários para que possamos fazer os investimentos em infra-estrutura que tanto a América do Sul necessita", continuou. Segundo Lula, a região precisa de energia, telecomunicações, estradas e ferrovias para interligar o continente. "Por isso o banco é extremamente importante", afirmou. A ata de criação do Banco do Sul foi assinada no domingo, 9, por seis presidentes, em meio a discursos exaltando a integração regional e a liberação dos organismos internacionais. A nova entidade financeira, que ainda não definiu como será formado seu capital nem como será o voto de cada país integrante, ambiciona ser uma versão local do Banco Mundial ou um BNDES, destinado ao financiamento de grandes obras, como gasodutos e estradas.  Néstor Kirchner, em seu último ato oficial como presidente da Argentina - acompanhado da esposa, Cristina Kirchner, que toma posse nesta segunda - comandou a cerimônia, na Casa Rosada. O banco é integrado por Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai, Venezuela e Uruguai. O uruguaio Tabaré Vázquez não participou do evento por causa da péssima relação com Kirchner - a instalação de uma fábrica de celulose na fronteira dos dois países é motivo de briga entre eles. Antes da assinatura da ata, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que o Banco do Sul "não tem nada a ver com o FMI. Será mais um banco de crédito como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, com a grande diferença de ser controlado por países da América da Sul". O capital da entidade financeira por enquanto é um mistério. Segundo Mantega, a previsão é que em 60 dias os países-sócios definam o capital inicial e o porcentual de recursos que cada um colocará no banco. Moeda única  Após a assinatura, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que "o Banco do Sul permitirá resolver os problemas econômicos e também os sociais". E afirmou que a criação do banco é o primeiro passo para que a América do Sul "tenha uma moeda única".  Ao se referir ao presidente boliviano, Lula afirmou que "Evo (Morales) é a coisa mais extraordinária que aconteceu na América do Sul. Ninguém é mais a cara da Bolívia do que o Evo Morales". Lula sustentou que a entidade tem o apoio da maioria dos países da região. Ele acredita que, em breve, outros países sul-americanos vão aderir ao banco. "Este será o primeiro banco realmente controlado pelos países do continente." Segundo Lula, é preciso aproveitar a conjuntura de crescimento econômico no continente. "Só é possível consolidar a integração em momentos de crescimento, quando a sociedade está otimista. Senão, tudo será mais difícil." Para ele, não há "saídas individuais. Se o Brasil não estiver bem, a Argentina não estará bem e vice-versa".

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