Lula defende política industrial comum no Mercosul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje, em discurso na sessão de trabalho dos presidentes do Mercosul, a consolidação de uma política industrial comum do bloco. Sem detalhar essa proposta, ele apenas mencionou que o mecanismo poderia dar maior dinamismo à economia da região e aumentar sua inserção no mercado mundial.Lula afirmou que a construção naval poderia servir como modelo de integração produtiva do Mercosul. E informou que, no primeiro semestre de 2006, o governo brasileiro escolherá pelo menos um projeto produtivo para integrar-se ao Mercosul e à Venezuela, o novo sócio pleno do bloco. "Essa iniciativa será um estímulo para a construção de um novo paradigma de desenvolvimento da região", disse o presidente. "Quanto mais forte estejam a Argentina, o Uruguai, o Paraguai, a Venezuela, mais forte o Brasil vai caminhar", argumentou.O presidente lembrou que o Brasil financia e dá garantias atualmente a 43 projetos de integração física da América do Sul, no valor de "2 mil milhões" (sic) de dólares - recorrendo, no discurso, à forma que os falantes de língua espanhola usam para designar os bilhões.O presidente ainda saudou a criação do Parlamento do Mercosul, que deve começar a funcionar em 2006, e defendeu que o bloco seja dotado de um braço executivo mais forte. "Montevidéu tem todas as condições de se tornar a Bruxelas do Mercosul", disse, numa referência à capital belga, onde funciona a sede da União Européia. Lula disse ainda que o Mercosul deve ser "levado ao povo" e afirmou que se trata de um dos projetos de maior envergadura da região.No início de seu discurso, o presidente mencionou rapidamente o ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul, afirmando que se tratava de um sinal do sucesso do bloco. Mas ressaltou que está empenhado em evitar que essa adesão não acarrete "traumas" na relação entre a Venezuela e os seus sócios da Comunidade Andina de Nações.GasodutoLula destacou que o gasoduto que partirá da Venezuela para abastecer o Brasil e a Argentina "pode ser a grande obra dos próximos 50 anos na América do Sul". Segundo o presidente, se os países desenvolvidos tiverem fôlego para levar esse projeto adiante, o gasoduto deverá garantir tranqüilidade no fornecimento de energia.

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